Assunção (PY)


Guia rápido para visitar a capital do Paraguai

Visto? Não (nem passaporte. RG basta pra entrar).
Vacina contra febre amarela? Não
Moeda: guaranis (bem mais desvalorizada, mas o ganho real não é tão grande. Confirme a cotação atual aqui).
Clima: quente pracalho o ano todo. Evite o final e o começo do ano, onde as temperaturas chegam a 40 graus fácil.
Povo: muito gentil e atencioso. Não tentaram passar a perna nenhuma vez.
Destaque: a segurança. Capital bem segura, dá pra andar à pé de boas, mesmo durante a madrugada.
Programas: passear pelas ruazinhas de San Jerônimo e gastar uma tarde bebendo cerveja e fazendo nada na Casa Clari, dentro da Manzana de la Riviera, em frente ao Palácio de López.
Quantos dias? se a ideia é ficar única e exclusivamente na capital, dois dias tá mais que bom pra ver tudo. Escolha um final de semana, de preferência, que é pra pegar um jogo no Defensores Del Chaco e curtir uma balada na noite paraguaia. Se for pra Encarnación adicione mais um dia e, Ciudad Del Este / Foz, adicione mais três.

Info_PY


Sabe por que você vê tão pouca informação sobre os atrativos turísticos em Assunção? Porque, sejamos honestos, não tem nada de atrativo turístico na da capital do Paraguai. Simples assim.

Não, minto.

Há bastante coisa para ver, principalmente de importância histórica. Quase tudo remete à Guerra do Paraguai (que eles chamam de “Guerra da Tríplice Aliança”. Cada qual com seu ponto de vista de quem foram os vilões, né?). Inclusive, tudo parece que foi deixado do jeito que era desde então: os prédios são meio acabados, feios, muito malconservados. Alguns, tipo A Iglesia de la Encarnación e o Mercado Municipal 04 estão literalmente caindo aos pedaços. Sinceramente, nada que valha a pena você pegar um avião e ir até lá.

Nem para compras compensa. É mais negócio ir pra Foz do Iguaçu e cruzar a fronteira para Ciudad del Este para achar ofertas mais atraentes. De quebra você ainda tem as Cataratas.

A não ser que você a) tenha se imposto visitar todas as capitais de América; b) precisa ir para Assunção por algum motivo (tipo a negócios ou aquele amigo que foi morar lá e acaba de te convidar pro casamento) ou c) quer poder se exibir de ter visitado um lugar que nenhum de seus amigos ainda foram (mesmo que o lugar em questão não seja tão legal, foda-se, você vai morrer dizendo que é), dificilmente vai desembarcar na cidade. E, se ainda assim o fizer, dois dias são mais do que suficientes.

Quer uma dica?

Você pode passar um fim de semana em Assunção, pegar um ônibus e ir até Encarnación, visitar as ruínas das missões jesuíticas (esq). E , já que está ali perto, dar uma chegada nas Dunas de San Cosme y Damian (dir).

ruinas_encarnación  dunas-san-cosme

Mais: veja aqui como chegar a Encarnación

Mais: descubra as Dunas de San Cosme y Damian

Sobre Assunção

O aeroporto não fica em Assunção, e sim na cidade vizinha, Luque. Lá tem um posto da secretaria de turismo onde você pode pegar um mapa bem bacana de Assunção, com todos os pontos de interesse.

O táxi até o centro custa G$120 mil (ou R$ 85 em nov/15). Mas você pode fazer de ônibus (G$ 2 mil) se não ligar para a precariedade dos veículos (cada linha tem seu carro diferente). Divirta-se com a quantidade de ambulantes que entram nos ônibus e com as coisas mais absurdas que eles vendem, tipo meia e pasta de dente.

ônibus_PY

Em Luque fica também o Museu da Conmebol, que é obrigatório se você gosta (e acompanha) futebol, principalmente sulamericano, especialmente a Libertadores. Mas atenção: o Museu tem o horário de funcionamento bem reduzido e não abre de domingo: segunda a sexta das 8h às 12h e das 16h às 18h e sábados das 08h às 12h.

Museu.Conmebol

Em Assunção, procure hospedar-se no centro que pronto: está perto de quase tudo que você vai turistar na cidade e pode fazer tudo à pé. Se você não pegou o mapa com todos os pontos turísticos de Assunção no aeroporto, um bom começo é ir até o Turista Róga, na Calle Palma, principal via da cidade, e pegar seu mapa. Daí pra frente é ir seguindo todas as indicações e “ticando” o que já foi visto. Em dois dias você dá conta de tudo, sossegado.

Antes de começar, um adendo: os materiais turísticos mencionam a Plaza Uruguaya (esq) e a Escalinata Antequera (dir) no fim da rua Antequera mas, sinceramente, não são nada além do que uma praça e uma escadaria.

Plaza_Uruguaya_PY  Escalinata_PY

Comece mesmo sua exploração em frente à Plaza Uruguaya, onde tem a Estación Central de Ferrocarril, a primeira estação de trem da América do Sul. Por módicos G$ 10.000 você vê expostos objetos da época e vagões restaurados.

Estación_Ferrocarril1_PY   Estación_Ferrocarril2_PY

Saindo da Estación, cruze toda a Plaza Uruguaya e pegue a Calle Palma. Estabelecendo ela como fio condutor, fica bem fácil se localizar em onde se está e como chegar aos pontos de interesse. Nela você encontra também várias casas de câmbio bem mais vantajosas do que as do aeroporto (mas isso de que câmbio no aeroporto não vale a pena você já deve saber, não?) Andando um pouco você passa pelo prédio onde funcionava o Museo de Belas Artes, hoje Arquivo Nacional (o Museo está bem mais longe).

Museo_BelasArtes_PY

Em poucos minutos você chega na Plaza de la Democracia (esq), onde está o que, creio, é o principal monumento histórico da cidade, o Panteón de los Héroes (dir), que homenageia os soldados desconhecidos que tombaram lutando bravamente pela pátria. Claro que deve ser mais interessante em se visitar numa época em que ele não esteja em reformas e você possa efetivamente entrar. Eu não tive essa sorte.

Plaza_Democracia_PY   Panteon_Heroes_PY

Em frente, o famoso Lido Bar. Para nós, brasileiros, não é nada que já tenhamos visto, mas para paraguaios, conforme me explicaram, o sistema de comida no balcão e atendimento cortês e informal fez a fama. A comida é barata e bem gostosa, vale a passagem. Você pode aproveitar e experimentar a tradicional sopa paraguaia, que de sopa só tem o nome, é na verdade um bolo, ou torta, de milho e queijo.

Lido_Bar_PY

Na exata diagonal ao Bar Lidô, atravessando toda a Plaza de la Democracia, há o tradicionalíssimo Hotel Guarani. Se você, assim como eu, não tem dinheiro sobrando para gastar, certamente não vai conseguir se hospedar nele. Mas é importante saber onde ele fica por outro motivo: há um guichê da Ticketea, onde você pode comprar ingressos para jogos do Olimpia, o clube de futebol de maior torcida de Assunção, e ver um jogo no famoso Defensores Del Chaco (e se a partida for no fim de tarde, como  a minha, olha o maravilhoso por do sol com o qual você é presentado). Há também um museu dedicado ao futebol anexo ao estádio (não tão completo como o da Conmebol) que eu não consegui visitar por ser dia de jogo. Para ir ao estádio, basta pegar o ônibus 56, fácil, fácil.

Defensores_Chaco2_PY   Defensores_Chaco1_PY

No quarteirão mais à frente do Bar Lidô fica a já mencionada Turista Rôga, centro de informações turísticas e, seguindo em frente, na outra esquina, na rua 14 de Mayo, tem a Casa de la Independência, onde reuniam-se os conspiradores da revolta que separou o Paraguai dos espanhóis. Muitos objetos de época e textos explicam o movimento, caso você não tenha tido história paraguaia na escola.

Casa_Independencia1_PY   Casa_Independencia2_PY

Subindo a rua 14 de Mayo algumas quadras você chega na Iglesa de la Encarnación, a maior igreja de Assunção. Apesar de estar caindo aos pedaços (como tantas outros prédios na cidade), ainda são celebradas missas. Eu não sei os horários, e não consegui entrar.

Iglesia_Encarnacion1_PY   Iglesia_Encarnacion2_PY

Descendo a 14 de Mayo em direção ao rio tem bastante coisa. O Teatro Municipal (esq), restaurado, tem uma programação bem agitada e a Catedral (dir), de 1845.

Theatro_Municipal_PY   Catedral_PY

Descendo mais pro rio você chega no Cabildo, onde era o Congresso Nacional, restaurado e transformado num ótimo centro cultural. Em tempo: atrás dele há uma favelinha,  o único local que requer alguma atenção com respeito à segurança. Paraguaios foram enfáticos ao me aconselhar a não entrar na favela por motivo algum. Não sei o que me levaria a entrar lá, mas obedeci.

Cabildo_PY   favela_PY

Como à época  da minha visita enfrentava uma manifestação de trabalhadores, acampados há semanas na frente, não pude me aproximar de vários monumentos que existem ali.

Manifestação_PY

O centro todo, aliás, é pontilhado de esculturas e prédios históricos e praças comemorativas, muitas praças comemorativas, às quais não lembro os nomes.

Monumento1_PY  Monumento2_PY   Monumento3_PY

Mais em frente, o Palácio de Lopez, sede do Poder Executivo. Cuidado para não chegar muito perto ao tirar suas fotos, pois pode tomar esporro dos guardas (afinal, é a casa do presidente deles, né?). Aprecie o Palácio tanto durante o dia quanto com a bela iluminação noturna (como ouvi alguém dizer: A energia da Itaipú tá sendo bem gasta”).

Palacio_Lopez1_PY   Palacio_Lopez2_PY

Em frente ao Palácio, com entrada pela rua lateral, há o Centro Cultural Manzana de La Riviera (esq), cheio de exposições. E, dentro dele, funciona nos finais de tarde a Casa Clari (dir), um bar ótimo para a happy hour, para ficar tomando cerveja descompromissadamente, jogando conversa fora e acompanhando as luzes se acenderem no Palácio de Lopez (interessante também experimentar a sangria marciana, feita com vinho branco e Blue Curacao). Gaste suas horas e seus guaranis sem dó aqui.

Manzana1_PY  Casa_Clari_PY

Seguindo em frente você chega na Recova, cheio de lojinhas de souvenirs e ao porto, onde há um navio de guerra (que não visitei, não sei se dá) e de onde você pode pegar um barco e atravessar o Rio da Prata até o Club M’biguá para ter uma vista de toda a baia de Assunção.

navio_PY   Porto_PY

Do porto você pode pegar a Costanera (avenida beira rio), bem urbanizada, onde um monte de gente aproveita para caminhar, correr e pedalar. Se estiver no pique, pode alugar uma bicicleta e dar uma volta. Na praia, sempre várias pessoas se reúnem para ver o por do sol, namorar ou curtir a brisa mais fresca (a cidade e um calor infernal). Só não queira nadar, não rola.

Costanera2_PY   praia1_PY

Um pouco mais à frente do porto, um dos lugares mais legais de Assunção e onde, dizem, a cidade nasceu: a Loma San Jerônimo. Um pequeno bairro que acabou tomado pela população mais humilde e tornou-se inseguro e violento, mas que de uns anos pra cá foi revitalizado e tornou-se atração turística, onde floresceram inúmeros ateliês de artistas e artesãos locais. Lembra, com as devidas proporções, das ruelas de uma favela carioca (tipo o Morro Tavares Bastos) com a atmosfera artística de Santa Teresa (também no Rio) ou Olinda (PE).

Loma1_PY Loma2_PY Loma3_PY

Loma4_PY  Loma5_PY

(e com uma Turma da Mônica legitimamente “made in Paraguai”)

Turma_Mônica_PY

O Mirante (G$20 mil) tem uma ótima vista e tomar uma cerveja conversando com o simpatissíssimo dono (que esqueci o nome) é uma experiência ímpar. Diz que ali tem musica nas sextas e sábados à noite, mas não consegui voltar pra conferir.

Mirador1_PY   Mirador2_PY

Falando em mirante, no extremo sul da cidade há o mirante do Cerro Lambaré, onde há um monumento aos exploradores da região e você consegue ver grande parte de Assunção. Dá pra chegar de ônibus? Dá, mas é longe, trabalhoso e tem uma bela subida à pé a ser vencida. Se fizer questão de conhecer, vá de táxi, que não sai caro ou, como eu fiz, conheça alguém na cidade disposto a te levar.

Cerro_Lambaré1_PY   Cerro_Lambaré2_PY

E tem o Mercado Central número 4, uma caótica mistura de gente, cheiros e sons, onde se vende desde roupas e pasta de dente a animais vivos, peixes e vegetais. E o prédio está passando por um restauro mais do que bem-vindo, pois está, literalmente, caindo aos pedaços. Para chegar nele, é só pegar qualquer ônibus com “Mercado n.04” escrito no pára-brisa.

Mercado_Municipal1_PY   Mercado_Municipal2_PY

A noite de Assunção acontece em dois lugares: no Paseo Carmelitas, com vários bares e restaurantes onde casais vão jantar e os mais jovens fazem o esquenta pra noite, e no centro histórico, onde há várias baladas (como o El Poniente) onde rola o esquema gente bonita e clima de paquera, caso interesse. No centro histórico, aliás, é de boas caminhar mesmo na madrugada, sem preocupação com assaltos nem nada.

Paseo_Carmelitas_PY  El_Poniente_PY

Em tempo: ficou uma dúvida. Fui num baile em Assunção, capital do Paraguai, onde eu vi as paraguaias sorridentes a bailar. Mas nenhuma cantou galopeira. Fiquei decepcionado, pois se eu não posso confiar em Chitãozinho e Xororó, vou confiar em quem?

E o passeio por Assunção acaba aqui. Abraço procê que chegou até o fim do texto.

Fim do post

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *