Belém (PA)

Juro que quando pequeno eu achava que era esse Belém que Jesus tinha nascido. Apesar de ter uma das maiores manifestações católicas do mundo, o Círio de Nazaré, eu não podia estar mais enganado.

A capital do Pará é uma cidade que tem coisa pra caramba para fazer. Apenas dois ou três dias com certeza não dão conta de você ver tudo de cultura, culinária ou de história que a cidade oferece. Aliás, uma outra constatação: taí um dos povos mais orgulhosos da sua cultura, culinária ou história. Mas nem tudo são flores em Belém, obviamente. O pior da cidade são os ônibus. Para quem, como eu, não tem carro e tem que rodar a cidade à pé, o despreparo dos cobradores quando você pede ajuda para se localizar em busca de algum dos inúmeros pontos turísticos, é irritante, desanimadora. Você NUNCA é avisado de onde é o lugar certo para descer. E com isso se perde sempre e tem que andar bastante à pé até acertar. Imagina ficar caminhando grandes distâncias naquele calor (literalmente) amazônico? E só aconteceu comigo ou os ônibus param em literalmente qualquer lugar, não só no ponto, quando você faz sinal? Bom, na dúvida, prefira táxis (se o orçamento permitir, claro).

Bom depois de elogiar e de maldizer, vamos ao que interessa: o que fazer.

Painel_ Belém

Como tantas outras cidades, comece pelo centro histórico (muito provavelmente seu hotel fica perto, tem vários próximos. Se for o hostel, você leva uns 10 minutos andando pra chegar). Ele concentra várias das atrações a serem vistas e é um ótimo lugar para se começar o giro.

Centro Belém

O Mercado Ver-o-Peso é clássico. Maior feira livre da América Latina, é uma festa de cheiros e cores e coisas exóticas, inclusive essências da floresta, pirarucus e outros peixes e fármacos que prometem curar qualquer coisa, de dores a importência, de mau-olhado a falta de dinheiro. Sério, dá pra passar um tempão lá só conversando com os vendedores, perguntando o que é, pra que serve, experimentando, cheirando, tocando…. E se não se incomodar com a simplicidade nível extreme, dá até pra arriscar almoçar lá. Barato (pude comparar depois, almoçando nos lugares mais arrumadinhos) e bem saboroso, não passou nem perto de me fazer mal.

Ver-o-Peso1 Ver-o-Peso2 Ver-o-Peso3 Ver-o-Peso4

Ali perto você pode passar por várias construções históricas no  Complexo Feliz Lusitánia:

o Forte do Presépio, a praça Dom Frei Caetano Brandão, a Casa das 11 Janelas, o Museu de Arte Sacra e a Catedral Metropolitana de Belém.

Forte Belém Catedral_Belém

A Casa das Onze Janelas tem um restaurante nota 10, caso você não tenha se arriscado comer no mercado Ver-o-Peso (que eu te entendo, não inspira confiança mesmo).

Casa 11 Janelas

Ancorada em frente a casa está a Corveta Museu Solimões, que dá pra você fazer um tour e agradecer por não ter sido marinheiro.

Corveta Solimões

Na porto revitalizado que virou a belíssima Estação das Docas, você pega no fim do dia (umas 16h30 ou 17h30, se eu não me engano) um barco para um passeio rio acima. Durante o passeio, além da contação de histórias do guia-que-canta-e-toca, um casal, trajados à caráter, dá um show nos vários (e são vários mesmo) ritmos típicos do estado. Até hoje suspiro quando lembro da menina dançando lundu.

Vale-verde  lundu

Voltando à Estação das Docas, que é onde você atraca depois do passeio de barco. Que delícia parar ali em um dos inúmeros bares e ficar vendo o tempo passar, acabando-se de beber cervejas e comer petiscos diferentões. Por favor, experimente tudo o que der do cardápio, das várias Amazon Beer com sabores peculiares como açaí e priprioca (me embriaguei, literalmente, com a de Taperebá, também conhecida como cajá), às porcões de pastel de tacacá. E não se esqueça da cachaça de jambu (aquela erva que usam na preparação do tacacá), que deixa a sua língua dormente  desce gostoso na garganta. Uma orgia de sabores e um duro golpe para a sua conta bancária (porque nada é barato), mas que recomendo fortemente (nada como tirar uma foto e mandar para os amigos pra fazer inveja).

Estação das Docas cerveja de cajá

Você já ouviu falar no Theatro Amazonas, marca da riqueza dos tempos áureos da borracha? Aquele contruído pra receber o Imperador e os grandes barões dos seringuais? Feito de pedras portuguesas, lustres franceses, mármores italianos e todo o requinte, luxo, sofisticação e opulância que a época permitia? Então, o Theatro da Paz é o primo menos famoso (não dá pra dizer primo pobre) dele.

(Em tempo: os belenenses, e paraenses no geral, a quem eu disse que o Theatro da Paz era menos conhecido do que o irmão amazônico, ficaram loucos. “Mas ele foi inaugurado antes!” bradavam. Sim, foi, mas e daí? Eu nunca tinha ouvido falar no Theatro da Paz até que fui para Belém, ao passo que o Theatro Amazonas já me era familiar muito antes de eu pisar em Manaus. “Nada pessoal, mas em questão de fama, o manauara ganha” eu repetia, para desgosto e protesto dos paraenses).

Rixas de que teatro é mais famoso à parte, a visita guiada é imperdível. O guia esmiúça e aponta e explica cada detalhe (e são muitos) do lindíssimo prédio.

Theatro_paz interior theatro da paz

Em frente ao Theatro, na Praça da República, fica o, adivinha?, Monumento à República! Feito em mármore de Carrara, obviamente, para não destoar da pompa e elegância do Theatro. Curiosidade que não tem nada a ver: a Praça da República era um cemitério de escravos e miseráveis. “Mas o que tem isso a ver?” você pergunta. Como eu já tinha adiantado: nada.

Monumento República

Um lugar bem gostoso de dar uma volta, é o Mangal das Garças. Um parque, rico em vegetação e tal e coisa, extremamente agradável pra caminhadas mas que, veja só!, garças passeiam livremente. Se o fato de andar cercado de garças não for atrativo suficiente, que tal você depois poder dizer que esteve num lugar “lindo, cheio de garça” pros seus amigos? ok, eu fiz esse trocadilho, ele é fraquíssimo e não funcionou).

Mangal 2 Mangal 1

Não perca o borboletário (eu nunca tinha visto um e, viadices à parte, fiquei encantado), o viveiro de pássaros silvestres que são resultado de apreensões de contrabantistas (cheio de pássaro exótico, lindo, ali ao seu alcance) e o Farol de Belém, um  mirante onde você vê grande parte da cidade.

Captura de Tela 2014-10-23 às 22.09.58 Captura de Tela 2014-10-23 às 22.13.53 Borboletário

O parque é gratuito, mas as três atrações que eu mencionei são pagas, algo tipo 2 ou 3 reais, baratim. Há ainda o Museu Náutico (pra quem gosta, um prato cheio) e, em cima dele, um bom restaurante pra comer vendo o por do sol no Rio Guamá.

ponte madeira Mangal

Outro símbolo da cidade é a Basílica de Nossa Senhora de Nazaré. Lembra que você já ouviu falar do Círio de Nazaré, a maior manifestação católica religiosa do Brasil? Dá no Jornal Nacional e no Fantástico todo ano: dois milhões de pessoas acompanham a imagem da santa, que sai da Catedral da Sé e vai até a Basílica. Acontece em outubro e eu graças a Deus estive lá em junho. Imagina me espremer no meio de 2 milhões de pessoas, com aquele (já mencionado) calor amazônico? Minha fé não dá não.

Basília Nazaré Nazaré

Zoológicos nas regiões Norte e Centro Oeste do Brasil são, via de regra, sempre interessantes. Talvez pela proximidade com a floresta amazônica e Pantanal, são garantia de ver bicho bacana. O Parque Zoobotânico Museu Paraense Emilio Goldi não foge à regra e está pertinho da Basílica. Não custa passar para ver. Aliás, custa, mas bem pouco, menos de 5 reais.

zoo2 zoo1

Os SESC são legais de se ir em qualquer lugar do Brasil. Tá certo que com tanta coisa bacana pra se ver, você pode torcer o nariz pra show de música. Ma pense de novo: sempre tem uma noite em que você não tem nada programado e vai ficar morgando no hotel. Arrisque-se. E você pode descobrir coisas muito legais, como eu descobri essa preciosidade paraense, Luê Soares por quem voltei apaixonado. Em tempo: vi a apresentação dela no SESC Boulevard, que fica perto da Estação das Docas. Não confundir com o SESC Docas, que fica perto… do Shopping Boulevard. Deve fazer sentido pra quem mora por lá.

E há ainda o Mercado Municipal de Carnes Antônio Bolonha. Seria um Mercado Municipal interessante de se visitar, como é na maioria das capitais, não fosse o fato de que em Belém nos temos o Mercado Ver-o-Peso, muito mais rico e interessante.  Ou seja, pode desconsiderar.

Casa de Carnes

Eu passei por ele porque estava a caminho de comer “o melhor açaí de Belém”, conforme tinha-me sido dito. Do local eu infelizmente não lembro o nome, mas sei que fica próximo à rodoviária (e o Mercado Municipal de Carnes fica no meio do caminho). O açaí é uma verdadeira explosão de sabores.  Começa que é BEM  mais forte do que aquele que é servido em São Paulo (o qual os belenenses jocosamente chamam de “água de açaí”). E, como se não bastasse essa estranheza no sabor, é recomendado que, depois que você mistura o açúcar, taque ainda farinha d’água e saboreie tudo isso com um delicioso pirarucu frito.  É, amigo… açaí com açúcar, farinha e pirarucu. “É teste pra cardíaco!”, como diria Galvão Bueno, o poeta das multidões.

açaí

Ah, e eu ia me esquecendo… Como pude? Faça o que fizer, visite o que visitar, PELAMORDEDEUS, não cometa o crime de deixar de experimentar os sorvetes de Belém. A sorveteria Cairu tá espalhada por toda a cidade (você acha no shopping e na Estação das Docas). Entupa-se e prove vários sabores. Não vai se arrepender e vai deixar Belém com gosto de quero mais. (tá, uma frase lugar-comum batidíssima, mas e eu resisto?)

Se der (novamente o velho dilema tempo versus dinheiro, eu não tinha nenhum dos dois então pra mim não deu), vá para as praias de rio de Algodoal e Salinas (lotadas em julho).

Falando em praia de rio, conheça a dita “mais bonita do mundo”, em Alter do Chão. (em breve)

E não perca a chance de dar um pulo na fantástica Ilha de Marajó. Veja aqui. (em breve)

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