Campo Grande (MS)

Tuiuiu_Campo Grande 1

A Cidade Morena, como é conhecida Campo Grande, é mais um caso que acomete tantas outras capitais do Brasil: é um ótimo ponto de partida para lugares mais interessantes, turisticamente falando.

(Um adendo importante: não incluo no “turisticamente falando” mencionado acima o aspecto “povo”. Pra se conhecer pessoas, saber das suas histórias, conversar com elas e descobrir pontos de vista e visões de mundo diferentes, toda cidade brasileira é um espetáculo. Se você, como eu, curte esse aspecto de uma viagem tanto quanto belas paisagens, cachoeiras, casarões históricos e natureza, não deixe de conhecer nenhuma.)

Entretanto, Campo Grande tem uma coisa que nem toda a cidade tem, mas que deveriam ter, pois facilita sobremaneira a nem sempre fácil tarefa de se deslocar entre todos os pontos turísticos nessa cidade em que dizer que faz calor absurdo é falar o óbvio: o abençoado ônibus-de-city-tour-de-dois-andares-com-guia-explicando-tudo.

city_tour_bus

Eu normalmente não gosto muito de grupos de excursão com guia ditando o ritmo, fazendo você correr atrás deles, mas em ônibus de city tour a coisa é diferente. Você tá lá, confortavelmente instalado, sendo alimentado com toneladas de informação e curiosidades sobre praças e monumentos que, se você fosse visitar sozinho, falaria “é só isso? uma praça?” ou “ah, mais um monumento!…”  Contextualizando cada local ou obra, sem que você precise se desgastar correndo pra cima e pra baixo naquele calorão, o passeio fica muito mais interessante. Prepare sua máquina e relaxe. Depois de 3 horas e meia, que é a duração do passeio, você pode dizer que conhece Campo Grande. Depois você aproveita pra comer em algum restaurante de comida regional e experimentar sabores pitorescos como moqueca de jacaré ou pintado com banana-da-terra e urucum ou caldo de piranha. Não vou dar nenhuma dica de onde comer. Primeiro porque esqueci o nome dos lugares que fui. Segundo porque nem sempre o prato que você procura pode ter lá. Mais fácil é pedir indicações no Serviço de Informações Turísticas do próprio aeroporto. Quando passei por lá, o atendente superssolícito (existe? é assim que escreve?) me listou uma enorme variedade de opções. Só podia ser gordinho (e falo isso com propriedade) pra conhecer tanto lugar de comida assim.

moqueca

Por que essa moqueca está vermelha? Porque é de jacaRED. RÁ!

E pronto, um dia e pode se despedir da capital do Mato Grosso do Sul e seguir rumo a Bonito ou Pantanal (que nós sabemos que foi pra isso que você veio).

Voltando ao city tour bus: ele sai da Morada dos Baís (casarão histórico e hoje centro cultural), no centro, e o passeio precisa ser reservado antes, pra ver se forma grupo ou se tem lugar disponível. Quase em frente à Morada dos Baís fica o Mercado Municipal, onde servem um pastel de cauda de jacaré pra quem tiver curiosidade.

Morada_dos_Baís  Mercado Municipal Campo Grande

O ônibus passa pelo Monumento Carro de Boi, Praça das Araras mais um porrilhão de lugares mais ou menos interessantes (uns mais, outros bem menos).

carrodeboi  Parque das Araras - Campo Grande

Ele faz duas paradas: no Memorial da Cultura Indígena e no Museu das Culturas Dom Bosco, que estão no nível “Melhor do que ficar vendo Video Show em casa” na escala de interesse. O Memorial de Cultura Indígena (esq.) tem uns artesanatos indígenas e uns índios por ali (mas, só cá entre nós, uns índios meia-boca, já muito aculturados à cidade). O Dom Bosco (dir.) um pouco mais bacana com mais informações sobre tribos, costumes e tudo o mais.

memorial_indigena dom bosco

Ambos no Parque das Nações Indígenas, que dizem ser o maior parque urbano do mundo, e que com um pouco de sorte pode-se ver capivaras, tatus, quatis e todos esses bichinhos que você, criado em apartamento, faz questão de fotografar quando vê. Bom, eu não vi nada disso.

parque nacões indígenasd Parque Nações Indígenas

Se você é que nem eu, e gosta de comer uns troços diferentes, dê um pulo na na Feira Central (bem mais legal que o Mercado Municipal), que rola a partir do meio dia nos fins de semana, no centro, na antiga estação ferroviária, e coma o Sobá, prato típico sul-matogrossense, inspirado em um prato japonês. E tome um tererê, bebida típica, basicamente um chimarrão que é tomado frio.

 

feira central soba1

Falando em estação ferroviária, uma opção de passeio que parece bem legal é o Trem do Pantanal, que sai de Campo Grande, faz uma parada em Aquidauana e chega em Miranda. Ele sai aos sábados 8 da manhã e retorna no domingo (ou seja, você precisa pernoitar em Miranda ou Aquidauana). Conselho? Durma sábado em Miranda e aproveite o domingo pra fazer um day tour na Fazenda São Francisco (algo como um “Pantanal-relâmpago”, com safári fotográfico e  passeio de chalana). Ai você volta de ônibus pra Campo Grande (três horas, BEM mais rápido que o trem, que leva o dia todo).

Trem Pantanal TREM DO PANTANAL 218 Pantanal - Fazenda San Francisco - Heberton Alves - Passeio Safari Fotográfico II fazenda_sfrancisco

Mais: veja em detalhes como é Miranda e o tour relâmpago pelo Pantanal

E, se você quiser levar aquela lembrancinha básica que faz questão de comprar em toda viagem, tem a Casa do Artesão, cheia de esculturas, licores, brincos, colares e artesanatos feitos por artistas e índios da região.

casa artesão  casa-artesão2

Pronto, acabou Campo Grande. Tá liberado para ir pro Pantanal ou pra Bonito.

Mais: mergulhe de cabeça em Bonito. (em breve)

2 Comments

  1. Excelente! Era o que eu queria ler e não encontrava.

    • Obrigado, Milton! Aproveite todo o site (muitas cidades ainda estão por vir) e ajude também com dicas. Valeu!

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