Cidade de Goiás (GO)

Vila Boa de Goyáz, também conhecida como Cidade de Goiás (os moradores não gostam nada de “Goiás Velho”), foi a primeira capital do estado e até hoje, uma vez por ano, recebe por alguns dias o governador, que despacha de lá, reconhecendo sua importância histórica.

Pegue um ônibus na rodoviária de Goiânia e, três horas depois, você chega. Se você for cedinho (o primeiro ônibus sai 6 da manhã), dá tempo de sobra para rodar pela cidade, conhecer tudo, experimentar seus pratos mais famosos e voltar para Goiânia no fim do dia. Só tenha em mente que você está no Planalto Central e o calor é de matar, ou seja, ficar batendo perna vai te exigir preparo. E boné e óculos escuros e protetor solar e garrafinhas de água.

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Uma coisa não dá pra negar: a cidade é linda, charmosíssima. Você parece ter entrado em um cenário de novela de época. A arquitetura colonial, as ruas de pedra e as igrejas barrocas estão todas muito preservadas. A fiação está enterrada e os postes imitam lampiões antigos, dando uma atmosfera toda especial.

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Fora dos fins de semana, que é quando a cidade fica mais cheia com os visitantes da capital, dá pra ver as pessoas conversando tranquilamente nas ruas, ou apoiadas nas janelas vendo a vida passar, e entrar no ritmo da cidade, cuja passagem de tempo é diferente. Várias lojinhas de artesanato e lembrancinhas estão espalhadas pelas ruas e vielas.

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A moradora mais ilustre da cidade é a poetisa Cora Coralina. A casa onde ela viveu, à beira do rio, virou um museu onde tudo o que ela usava no dia a dia permanece intocado. A visita guiada dá detalhes da vida dela (uma mulher que começou a escrever depois de velha e ficou famosa é sempre inspirador: nunca é tarde para começar).

Cora Coralina Casa_Cora

A Cruz de Anhanguera e o Chafariz da Boa Morte são dois dos símbolos da cidade. (Curisoso notar como em várias cidades pelo Brasil os chafarizes e caixas d’água eram importantes, centrais na vida das pessoas. Água encanada é um luxo de hoje que nos parece tão óbvio…)

Cruz_Anhanguera Chafariz Boa Morte

Igreja, temos várias. O sol, e a preguiça, não me deixou visitar todas. A Igreja da Boa Morte (esq) tem a fachada barroca, atualmente é um Museu de Arte Sacra. Não perca a visita guiada. A Igreja Nossa Senhora do Rosário (dir) é a maior, com arcos góticos e paredes de pedra. Seu interior é todo pintado com a Via Crúcis (e um jardinzinho deveras gostoso nos fundos).

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Dois museus bacanas para você dar uma conferida: o Palácio Conde dos Arcos (esq) é de 1755 e foi construído para ser a residência do primeiro governador da Capitania (a cidade era a capital antes de Goiânia). Todos os anos, no aniversário da cidade, abriga por alguns dias a sede do governo. O Museu das Bandeiras (dir) era a antiga cadeira e a Câmara Municipal. Hoje abriga móveis e documentos históricos.

palacio-conde-dos-arcos Museu das Bandeiras

Mas a marca registrada da cidade são os doces (Cora Coralina, antes de poetisa, era doceira, por exemplo). Além dos doces, e da sorveteria Coreto com os sabores do cerrado, experimente também o tradicional empadão goiano.

Doces_Goyaz empadao-goiano

Imperdível é a Semana Santa, quando acontece a Procissão do Fogaréu simbolizando a busca e a prisão de Jesus: na quarta-feira à meia noite toda a iluminação da cidade é apagada e os fiéis saem com tochas na mão ao som de tambores e de músicas. Não vi, mas está na lista das coisas que preciso ver. A fantasia por si só é assustadora.

Fogaréu

A alguns quilômetros da cidade fica a Cachoeira da Andorinha. Conversando com o pessoal da cidade você consegue um táxi ou alguém que te leve lá por uma quantia bem camarada. Naquele sol, dar um pulo numa água gelada é uma bênção.

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Se você curtir um eco-turismo, durma uma noite por lá (você vai dormir bem cedo, acredite) e no dia seguinte arrume um guia no Centro de Atendimento ao Turista, no centro, para fazer um passeio pela Serra Dourada (não o estádio, a serra que circunda a cidade). Eu não fui por falta de tempo, infelizmente. Assim como também não fui no Museu da artista Goiandira, que usava areias coloridas nos seus trabalhos e, dizem, ser muito bonito.

E uma última informação para você se exibir em uma conversa na mesa de bar: Goiás vem de Goyáz, que vem dos índios Goytacazes, habitantes originais da região.

 

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