Cuiabá (MT)

Dizem que na língua dos índios que povoavam aquelas terras, “iabá” quer dizer “do mundo”. Aposto que você já ouviu essa piada que brinca dizendo que a cidade é o cu do mundo. Maldade pura, claro. A verdade é que, além do calorão, você não tem muito o que temer. Cuiabá é uma daquelas cidades em que o mais interessante, turisticamente falando, está perto, não nela. Ao tirar suas férias, na sinceridade, de coração, conselho de irmão: não gaste mais do que um dia pra conhecer o que a capital de Mato Grosso tem de mais relevante a mostrar.

Prefira gastar os outros dias de folga com lugares muito mais fodásticos (com o perdão da palavra, mas “fodásticos” representa perfeitamente o que você vai ver) como Pantanal (via Poconé, uns 100 km), Chapada dos Guimarães (uns 100 km) e Nobres (também conhecido como Bom Jardim, a uns 150 km).

Mais: veja como foram meus mergulhos em Nobres, aqui.

Mais: por onde andei quando explorei a Chapada dos Guimarães, aqui.

Outro conselho, este aos alberguistas de plantão: não fique no Hostel Portal do Pantanal (filiado a HI Hostel na cidade). Apesar de bem localizado, não é tão barato pelas acomodações que oferece (que deixam bastante a desejar) e o dono, o Rui, é muito atrapalhado.

Comecei o City Tour pelo Centro Geodésico da América do Sul, demarcado pelo Marechal Cândido Rondon em 1909, era onde escravos eram castigados, transformando-se depois no local de realização das cavalhadas e touradas. Desse passado pitoresco nada sobrou. Hoje é o endereço da Câmara Municipal de Cuiaba e só. Cinco minutos de contemplação, se muito, e uma olhadela curiosa nas marcações no chão, que apontam pra que lado estão vários estados brasileiros e alguns países da América do Sul, e pronto.

Centro Geodésico 2  Centro Geodésico 1

Perto tem o Museu da Caixa d’ Água, o primeiro reservatório da cidade, construído em 1882. Poderia ser interessante se não estivesse fechado e abandonado (inclusive servindo de abrigo a moradores de rua).

Morro da Caixa D'Água 1 Morro da Caixa D'Água 2

No Centro Histórico, ali pertinho, dê um pulo na Basílica do Senhor Bom Jesus e no Museu de Pedras Ramis Bucair. Mas nada que mereça grande demora.

 

Catedral Bom Jesus Museu de Pedras

A igreja símbolo da cidade é o Santuário de Nossa Senhora de Bom Despacho, inaugurado em 1919, cuja fachada, dizem, tem estilo neogótico que lembra a Catedral de Notre-Dame, de Paris.

NS_Bom_Despacho

Dois dos lugares mais legais da cidade, ambos mantidos pelo SESC, ficam bem próimos um do outro: o SESC Arsenal e a Casa do Artesão. No SESC Arsenal, que tem esse nome porque era o arsenal da cidade, você vê shows de artistas locais, o que pode reservar boas surpresas. Quando nada, aproveite o agradabilíssimo ambiente para fazer um happy hour, especialmente às quintas-feiras. A Casa do Artesão traz, adivinha?, produtos artesanais de todo o estado. Pra quem não fica sem comprar alguma lembançazinha, esse é o lugar. E explore o subsolo, onde um pequeno museu traz MUITA coisa da cultura mato-grossense. Peça para o funcionário lá presente te guiar: ele vai dar muita informação bacana sobre cada peça exposta.

Casa do Artesão 1 Museu da Casa do Artesão

Pegando um ônibus (que em Cuiabá não tem cobrador) você vai até a Universidade Federal de Mato Grosso – UFMT. Dentro do enorme campus, visite o zoológico, cheio de espécies pantaneiras, e o Museu Rondon (que tudo indica que é interessante, mas que eu não vi por estar fechado para reforma).

Captura de Tela 2014-11-02 às 21.14.49 Captura de Tela 2014-11-02 às 21.14.21

Pra finalizar o dia, não deixe de passar na Praça Popular. São vários bares onde a noite cuiabana ferve de segunda a segunda. Em um dos bares, o Ditado Popular, por exemplo, estive em plena segunda-feira e ele estava cheio. Quase explodi de comer com o rodízio de petiscos.

Ditado Popular

PS – Se tudo que eu indiquei não for suficiente para preencher seu dia e você ainda tiver mais tempo livre, há dois lugares que eu não visitei (e justamente por isso não sei se valem uma conferida): o  Museu do Rio Cuiabá e o Parque Mãe Bonifácia. Se passar por lá, me conta como foi.

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