Curitiba (PR)

A minha visita a Curitiba teve um acontecimento inusitado que me privou de qualquer foto – meu celular voou do trem nos penhascos da Serra do Mar. Por isso todas as imagens usadas nesse relato foram roubadas da internet.

Para não dizer que não sobrou nenhuma foto, sobrou essa daqui, a prosaica cervejinha no centro histórico de Curitiba.

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Curitiba tem muita coisa para fazer e, melhor de tudo, não tem segredo. Pegou o ônibus turístico, pronto, ele vai passar perto de tudo o que você tem para fazer na cidade. Claro que, se você der muita, mas muita sorte e fizer amizade com algum curitibano, ele pode te levar em algum restaurante ou boteco com algum atrativo mais especial. Mas, turisticamente falando, o ônibus cobre tudo muito bem. Só fique esperto porque ele não funciona de segunda (salvo raras exceções, segunda-feira é o Dia Mundial Perdido Para o Turista).

São vários ônibus que percorrem um circuito pré-determinado que tem umas 20 e tantas paradas, e você pode pegá-lo em qualquer uma delas. Você compra um bilhete que permite que faça quatro reembarques, ou seja, é importante dar uma olhada antes no mapa com todos os pontos e selecionar aqueles que mais lhe apetecem visitar. Como os ônibus começam a circular de manhãzinha e o último passa no fim da tarde, ao anoitecer, dá para você ficar o dia inteiro indo de lá pra cá, subindo e descendo do ônibus. Eu, por exemplo, comprei dois bilhetes, e planejando direitinho, visitei onze pontos da cidade.

Comecei pela Praça Tiradentes, o marco zero da cidade (e ponto inicial do ônibus). Se você tiver pique de andar, dá pra bater à pé tudo ali (e ticar como “visitada” no mapa um monte de paradas do ônibus): a Catedral Basílica Nossa Senhora da Luz. o Paço da Liberdade, o Mercado das Flores, o Teatro Guaíra e o prédio histórico da Universidade Federal do Paraná, a primeira do Brasil.

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Mas volte para a Praça Tiradentes para pegar o ônibus. Assim, você já vai direto para um dos cartões postais (senão o cartão postal mais famoso) de Curitiba: o Jardim Botânico. Impossível não tirar uma foto na frente da estufa de vidro. Rola visita guiada gratuita, mas tem que ser agendada antes por telefone (que eu não sei qual é, se informa na cidade, ou dá um Google, que é fácil).

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A próxima parada é imperdível: o Museu Oscar Niemeyer. Como se não bastasse ter exposições legais pra caramba, super interativas e diferentonas (estilo Museu da Língua Portuguesa em São Paulo ou o Museu da Gente Sergipana em Aracaju), o museu projetado pelo onipresente arquiteto é lindíssimo (o “olho” é outro marco arquitetônico da cidade – daí também ser conhecido como “Museu do Olho”).

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Ali perto, dá até pra ir andando (eu não sabia e usei um bilhete do ônibus) tem o Bosque do Papa / Memorial Polonês. É uma homenagem aos imigrantes poloneses que vieram para Curitiba. Foi inaugurado à época da visita do Papa João Paulo II, em 1980. E o que tem de mais lá?, você deve se perguntar. A bem da verdade, tem muita coisa inesquecível não. Tem algumas casas de madeira construídas à moda polonesa, só com encaixe e sem pregos/parafusos. Interessante e tal, mas nada de mais. E por que raios você parou lá? novamente sua curiosidade interpela. Única e tão-somente porque sou descendente de poloneses e resolvi visitar. Digno de nota é o restaurante típico com pratos da culinária polonesa que tem em frente ao Bosque, o Kawiarnia Krakowiak (pesquisei no Google pra lembrar). Você sabe o que é servida na culinária regional polonesa? Então, nem eu sabia. Obviamente não vou contar, e por isso vale a parada.

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O Bosque Alemão segue o mesmo princípio que eu usei no Bosque do Papa: como descendente de alemão, resolvi dar uma passada. Há a Torre dos Filósofos, com uma bela vista da cidade. E fica muito mais interessante quando você está com crianças, que podem curtir a trilha de João e Maria (com azulejos pintados retratando a fábula)  e a Casa Encantada da Bruxa (onde há contação de histórias).

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Outro clássico curitibano, não perca a Ópera de Arame – toda de aço tubular vazado e com teto transparente (e que não estava recebendo mais espetáculos e iria fechar para reforma à época da minha visita. Confirme como está agora antes de ir). Colado nele, outro tradicional espaço de shows (esse ao ar livre), o Parque das Pedreiras Paulo Leminski.

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Logo depois há o Parque Tanguá. Basicamente, parque por parque, quem viu um, viu todos. Não é um destino que o turista morra de amores para ver, convenhamos. Nesse aspecto, você pode escolher entre o Parque Tanguá ou o Parque Barigui.

O Parque Tanguá nasceu da revitalização de duas antigas pedreiras. Seus lagos, e o túnel que os liga  são símbolos do parque.

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O Parque Barigui é um dos maiores da cidade (e sem dúvida o mais movimentado). Ele tem o Museu do Automóvel (não fui), mas te dou uma palavra para convencer a visitá-lo: capivaras. Esses e outros bichos, inclusive um jacaré que não vi, ficam zanzando por lá.

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Santa Felicidade é o bairro italiano de Curitiba. “Não vai me dizer que você também tem descendentes italianos” você já se antecipa. Não, não tenho, mas é um pólo gastronômico e, sacumé, comida italiana sempre vale a visita.  Sim, eu tinha almoçado no restaurante polonês, mas vinho e salame nunca são demais. Ah, ali fica o Madalosso, tido como o maior restaurante da América Latina.

Portal de Santa Felicidade. Curitiba, 20/12/2007 Foto: Maurilio Cheli/SMCS  restaurante-madalosso

A Torre Panorâmica não precisa de descrição. 109 metros de altura e visão 360 graus de Curitiba. Quer mais o que?

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A última parada do ônibus, se você começou na Praça Tiradentes, é o Centro Histórico. Os centros históricos de qualquer capital são via de regra deveras interessantes, e Curitiba não foge à regra. Dali até a Praça Tiradentes tem vários casarões históricos (como o Solar do Barão) e museus, com especial atenção para o Museu Paranaense e sua sala dedicada inteiramente ao ciclo da erva mate (viajando e aprendendo).

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Tem mesquita árabe, tem templo Hare Krishna, tem igrejas católicas, tem monumentos variados  – como a Fonte da Memória (conhecida à boca pequena como “Cavalo Babão”)

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E tem em o Largo Coronel Enéas, onde diversos bares com mesinhas na rua são mais do que convidativos para você parar e tomar sua merecida cerveja de fim de passeio (lembra da foto do começo do post?).

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Pronto, a cidade você viu em um dia. No dia seguinte, de preferência que seja domingo, vá até a Estação Rodo-Ferroviária e de manhã cedo pegue o trem de passageiros para Morretes (que de domingo vai até Paranaguá), operado pela América Latina Logística . Foi nesse passeio, aliás, que aconteceu o fatídico voo do celular pela janela do trem, junto com todas as minhas fotos. Dica do dia: para a volta, não volte de trem. Prefira as vans que fazem o trajeto – mais rápido – pela Estrada da Graciosa.

Esse passeio é garantia de paisagens de tirar o fôlego numa sinuosa Serra do Mar com mata altlântica preservada, dezenas de túneis e pontes. Se o tempo estiver aberto, o deleite visual é certo.

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Chegando em Morretes, entupa-se com o delicioso prato local, o barreado (e entupir é a palavra que melhor descreve o ato de se fartar de comer).

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Na volta, aprecie a sensacional (e não menos sinuosa) Estrada da Graciosa.

estrada-da-graciosa Estrada da Graciosa.

Um último adendo a Curitiba: não é nada pessoal, não é que o pessoal da cidade não gostou de você. Eles são realmente frios e não fazem questão de conversar ou ser simpáticos com quem quer que seja – turistas ou não – simplesmente porque eles não conhecem e não querem ser simpáticos.  A indiferença que eu esperava dos gaúchos (como dito aqui) e quebrei a cara, encontrei em profusão em Curitiba.

 

4 Comments

  1. Sonia Mara Robes

    Olá, boa noite

    Só quero dizer que não são todos os Curitibanos que são trancados fechados não, infelizmente Você não teve sorte tenha certeza que se vier a Curitiba encontrará pessoas maravilhosas que iram com Você fazer um tur pela cidade tenha certeza disso ok !!!

    • Oi Sônia! Obrigado pelo comentário!
      Sim, não tenho dúvidas que não são todos os curitibanos que são fechados. Conheço (inclusive trabalho com) vários que não são assim. Mas você há de convir que, na maioria os curitibanos são sim mais reservados. Nada que desabone, obviamente. Voltarei muitas outras vezes e sempre recomendo fortemente a visita.
      Um abraço!

  2. Olá, tdo bem?? Sempre ouvi que curitibano é fechado e “sisudo”, porém, sou nascida e criada em Curitiba e, de verdade, são pouquíssimos os que não gostam de conversar. A grande maioria é sim bem simpática. Claro, não andamos pelas ruas sorrindo e dando oi a todos, mas se alguém puxa qualquer conversa, prontamente respondemos com a melhor das boas vontades. Mas, sempre há as exceções. Fui, há poucos dias, para RS, visitei Porto Alegre e Gramado e cheguei a comentar com meu marido que eles sim são fechados, gente, o povo que fala de curitibano não conhece os porto alegrenses, pense num povo que não responde um simples “Bom Dia”, além das patadas que dão na gente, do nada, no meio da conversa hahaha, chega a ser engraçado, mas acho que é o jeito deles mesmo, o que não faz diminuir em nada meu amor e admiração pelo gaúchos. É isso aí, desculpa se falei demais rsrsrs e seja sempre bem vinda à nossa cidade, espero que da próxima vez encontre pessoas mais simpáticas por aqui rsrsrs

    • Oi Neila!
      É tudo uma questão de percepção mesmo. Depois de algumas viagens (inclusive para fora do Brasil) notei que, via de regra, pessoas que vivem em climas mais frios são menos expansivas. Mas isso não quer dizer mal humoradas ou mal educadas. E todas as vezes que estive por aí eu conheci gente simpatissíssima. Só a proporção de simpáticos versus mais fechados é maior nos estados do sul (o que não é uma crítica, é só uma constatação).
      Abraços!

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