Florianópolis (SC)

“Um pedacinho de terra, perdido no mar! Num pedacinho de terra, beleza sem par.” assim começa o hino oficial da cidade de Florianópolis, o Rancho de Amor à ilha. Sem querer florear muito,  porque poesia sempre exagera, é difícil não gostar de Floripa. Primeiro porque tem praia, e não tem como não gostar de lugar que tem praia. Aliás, obviedades à parte, por ser uma ilha, tem muita praia. Pra todos os gostos, de todas as cores e tamanhos. Pra quem curte mar calmo, pra quem curte surfar, pra quem curte badalação, pra quem curte natureza, tem tudo. Como se não bastasse, um povo bonito que é a alegria para estes meus olhos cansados, e de quebra uma colonização açoriana pra dar um tempero cultural diferente. Daria fácil pra passar um mês inteiro na Ilha da Magia. Mas como eu sou trabalhador (mal) assalariado, tive que me contentar com bem menos tempo e, por isso, a descrição dos locais a serem visitados vai estar certamente incompleta, com muitos outros lugares que eu gostaria de ter ido, mas não fui.

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Eu fiquei num hostel no centro, porque afinal de contas é o centro, está perto da rodoviária e do terminal de ônibus de onde partem ônibus para tudo quanto e canto da ilha. O jeito mais fácil de se conhecer Floripa, sem ter um carro. Então, começando pelo centro histórico, o Mercado Municipal é famoso pelos seus quitutes de camarão.

Mercado-Florianopolis mercado_municipal_floripa

Como toda capital que se preze, tem a sua Catedral Metropolitana.

Catedral Floripa

E tem o Museu Victor Meirelles, que funciona na casa onde morava o pintor (que por completo desconhecimento meu, nem imaginava quem era, vim a descobrir que o famoso quadro “A Primeira Missa no Brasil” é dele. Não sabe do que eu tô falando? Procura no Google. Você vai se lembrar da aula de história do segundo grau) e o Palácio Cruz e Souza, muito bonito por sinal, que abriga o Museu Histórico de Santa Catarina (outra coisa que não sabia, ou não lembrava: Cruz e Souza, o poeta simbolista, era manezinho).

Vitor Meirelles Cruz e Souza

A Ponte Hercílio Luz é o ícone de Florianópolis. Portanto, foto obrigatória. Embaixo dela, você consegue pegar uma escuna que faz um passeio mara (jeito moderninho de falar “maravilhoso”) pelas ilhas e fortes da cidade, com direito a ver de golfinhos, se tiver sorte. O passeio para na Ilha de Anhatomirim, para almoçar e visitar a Fortaleza de Santa Cruz e passa também pelo Forte de Santo Antônio.

Hercílio Luz escuna Forte_Sto_Antônio Forte Anhatomirim

Para completar o passeio a todos os fortes do sistema triangular de defesa, visite a Fortaleza de São José da Ponta Grossa, em Jurerê Internacional, de onde você tem uma bela vista de toda a costa. Jurerê também é a praia das baladas mais caras e exclusivas de Florianópolis. Se você quiser ver e ser visto no verão, gente bonita e clima de paquera, mergulhar em música eletrônica e torrar os tubos, esse é o seu destino.

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Há outro ponto que você pode pegar escunas para fazer o passeio pelas ilhas e fortes, a praia de Canasvieiras, do lado de Jurerê Internacional. Essa é a praia de águas calmas, que muitos florianopolitanos (pra você que não sabia, esse é o gentílico de nascidos em Florianópolis) têm uma “casa de veraneio”, e que é invadida por argentinos no verão. Quer ver hermanos nas suas férias de janeiro? Vem para cá.

Da série "Não é Fácil Ser Eu"

Da série “Não é Fácil Ser Eu”

Joaquina, ou simplesmente Joa para os íntimos, é uma das praias mais famosas de Florianópolis. Tem uma ótima infraestrutura de bares, recebe muita gente nos fins de semana (muitos surfistas). Nas suas dunas, aproveite pra se arriscar num sandboard. Divertidíssimo pra descer, é um calvário para subir de volta. Você até entende a “promoção” de pagar um valor fixo e poder descer e subir quantas vezes quiser.

Joaquina Dunas Sandboard

No caminho para Joaquina há a Lagoa da Conceição. Ali dá pra gastar dias (e noites). Acabe-se nas sequências de camarão (onde eu descobri que há um momento em que eu não aguentava mais comer camarão, coisa que eu julgava impossível). Ou fique boiando na Lagoa. Ou pegue um dos barquinhos dos pescadores, que passeia pela Costa da Lagoa. Se você xavecar o barqueiro (também conhecido como 5 conto) ele provavelmente faz uma parada no meio da Lagoa para um mergulho. Chegando do outro lado, uma surpresa é uma trilha que leva até uma cachoeira. Aproveite para comer em um dos vários restaurantes de peixes bem em conta que tem por ali (e, claro, tomar uma gelada, porque ninguém é de ferro). A volta, você faz de novo em barquinho.

Lagoa Conceição barco-costa-da-lagoa costa-da-lagoa cachoeira-costa-da-lagoa

Na praia da Barra da Lagoa há também uma dica que provavelmente só quem mora lá pode dar: atravesse a ponte da Barra da Lagoa, passa pela vilinha e pega a trilha, passa por uma enseada (dá pra dar um mergulho) e chega numa pedra onde você tem uma vista sensacional. Um daqueles lugares para você espalhar na sua roda de amigos que você conhece um lugar que ninguém conhece e tal e coisa.

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E, pra quem gosta da noite, a Lagoa da Conceição é o paraíso. Vários bares onde toca todo tipo de música e aparece todo tipo de gente (interessantíssima, por sinal).

O Campeche é o mais novo ponto de encontro da galera jovem, que quer curtir uma praia e, por que não?, azarar e pegar gente bonita. Mas se você já estiver acompanhado, a viagem não está perdida. Atravesse de barco até a Ilha do Campeche, em frente à praia. Além de ser bem mais tranquila, você pode fazer trilhas e, o melhor de tudo, mergulho de snorkel.

campeche ilha_campeche

Cansou da muvuca da Joaquina, da Lagoa da Conceição e do Campeche? No Problem. Dê um pulo em Ribeirão da Ilha e ache uma vila extremamente tranquila, com jeito de parada no tempo. Colonizada por açorianos, a arquitetura das casas é um charme. Visite a  Igreja Nossa Senhora da Lapa do Ribeirão e, se não tiver frescurinha em engolir um treco mole e que tem gosto de água do mar com limão,  arrisque-se nas ostras, carro-chefe da culinária local.

ribeirao_ilha1 Ribeirão da ilha

Minha viagem terminou na praia mais intocada da ilha que, dizem, é uma das mais bonitas do Brasil: Lagoinha do Leste. Vá, bem cedo, até a Praia do Matadeiro, bem ao sul da ilha. No costão à direita da praia tem uma trilha que não é bolinho (mesmo!) . Conselho de amigo: vá preparado para bufar e sofrer com a  subida, bem íngreme. Depois de uma meia hora morrendo, você chega na parte mais elevada e dali pra frente a coisa fica mais fácil. Dali dá pra ter uma senhora vista da praia, que mostra que valeu a pena o esforço. Curta a praia deserta, sem qualquer infraestrutura (algumas pessoas ocasionais acampando) e vá até a outra ponta, onde você atravessa uma outra trilha, bem mais fácil, até a praia de Pântano do Sul. Ali dá pra se almoçar bem e muito barato.

Lagoinha do Sul pantano_sul

E sei que ainda falta muito pra conhecer em Florianópolis. Mas eu voltarei… eu voltarei…

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