Guiana

Guia rápido para visitar a Guiana

Visto? Não, só passaporte.
Vacina contra febre amarela? Sim
Moeda: dólar guianense (no valor nominal, vale BEM menos. Na prática, o custo de vida faz com que seja caro viajar para lá. Confirme a cotação atual aqui).
Clima: tá perto do Equador, então é quente no verão e quente no inverno, né?.
Povo: extremamente simpático e feliz por receber qualquer turista. Não tentaram me passar a perna em nada. Só o inglês, meio caribenho-jamaicano, é difícil pra cacete de entender.
Destaque: a cultura, com estilo de vida completamente diferente do que eu já vi até então (talvez na Jamaica seja parecido, a conferir). A população é predominantemente negra (89%) e tem bastante hindu (10%). O resto, 1%, são o resto: brancos, orientais, índios… (os números, claro são invenção e exagero meus, sem qualquer base científica).
Programas: Hum… pode pular essa aqui? Georgetown, a capital, não tem nada Talvez o interior, todo ele selva amazônica, mereça destaque. Mas nada que não se veja igual na amazônia brasileira, pagando bem menos. Tem a Cachoeira Kaieteur, uma das maiores do mundo. Mas é caro para chegar até ela e, bem, pode ser que você não consiga ir (detalhes abaixo).
Quantos dias? Dependendo de como você conseguir encaixar voos de chegada e de saída, dea pra conhecer o principal em um dia. Kaieteur leva apenas algumas horas e você pode gastar as outras horas antes do pôr do sol na caminhada pelo centro. Pra não dizer que ficou muito apertado, fique um dia e meio, no máximo.

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Introdução

As três Guianas, inglesa, holandesa e francesa (atualmente conhecidas como Guiana, Suriname e Guiana francesa, respectivamente) são o patinho feio do turismo na América do Sul. Enquanto todos os outros países exceção feita ao Paraguai, talvez) são visitados por milhares e suas maravilhas divulgadas aos quatro ventos, não conheço ninguém que tenha ido a Georgetown, capital da Guiana. Mesmo na internet os relatos são meio escassos. E foi por isso que eu pensei “e por que não?”. Bom, a resposta é meio óbvia: porque realmente tem nada que compense o deslocamento até lá. Vale o mesmo raciocínio que uma viagem ao Paraguai: se está passando por perto por algum outro motivo, negócios, visita a parentes, etc., até que pode ser uma opção, um lugar completamente diferente. Mas, se não, guarde seus dólares. Prefira gastá-los no Caribe, como Curaçao ou Trinidad e Tobago, por exemplo.

Mais: conheça também o Suriname, antiga Guiana Holandesa

Mais: confira o que de interessante a Guiana Francesa, um pedaço da França na América do Sul.

Como chegar

Pelo que me lembro, não há voos diretos saindo de São Paulo. A Copa Airlines tem um com escala no Panamá e a TAM tem um com várias escalas (Miami entre elas, o que te faz precisar do visto norte-americano). Por terra dá pra você entrar pela fronteira brasileira ou pela fronteira com o Suriname.

Eu quis ir por terra e, acredite, é uma ideia pior do que pegar esses voos com escalas. Voltava de um trekking sensacional ao Monte Roraima (leia aqui), já estava em Boa Vista mesmo, me pareceu uma boa coisa. Ledo engano.

De Boa Vista, você vai ao terminal rodoviário e de lá a) pega um ônibus (3hs de viagem, R$ 20,  AMATUR , 7h, 10h, 14h, 16h30) ou b) um táxi compartilhado (2hs, R$ 45 por pessoa no táxi com 5 pessoas) até Bonfim, numa estrada bem asfaltada, reta e tranquila. Fui de táxi, que tem a vantagem de sair a qualquer hora do dia, basta encher – e sempre tem pessoas querendo cruzar a fronteira – e ele te deixa direto na fronteira (de ônibus eu não sei dizer como funciona para ir da rodoviária até a fronteira, mas posso apostar que dá para ir caminhando).

Aí é só carimbar a saída no seu passaporte na Polícia Federal, atravessar a fronteira e passar pela aduana guianesa. A revista das malas (pedem para abrir) é tranquila, aquelas perguntas de praxe “porque tá vindo pra Guiana?, quantos dias vai ficar?”, etc. e pronto, entrou no país, na cidade de Lethem. É fácil achar um taxista que te leve até o centro de Lethem (a poucos quilômetros dali) por 10 dólares (americanos, já que provavelmente você não fez câmbio ainda).. Se você veio de táxi, o próprio taxista brasileiro já te arrumou um taxista guianense, que te leva até o centro de Lethem.

Mais: no caso de querer entrar pelo Suriname, saiba como aqui.

Lethem

A cidade é minúscula, um poeirão só. Não tem nada, é apenas um povoado “do lado de lá da fronteira” para receber o trânsito de brasileiros, venezuelanos e outros sul americanos que vão tentar a sorte nos garimpos, legais e ilegais, do interior do país. E é também um enorme entreposto comercial com várias lojas de produtos falsificados Made in China que abastecem os brasileiros de Boa Vista e de outras parte da região norte do Brasil. Tirando isso, acabou a cidade.

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Para ir para Georgetown, tem duas formas:

a) avião teco-teco para até 13 passageiros num voo de 2hs. Sai US$ 110 (sim, dólares americanos – ou o correspondente em dólares guianeses). São quatro voos diários (dois pela Air Services Limited e dois pela Trans-Guyana) vendidos nos escritórios das respectivas companhias em frente à pista de pouso. Em tempo: na rodoviária de Boa Vista tem um escritório da Fly Brasil que promete que vende essas passagens, mas ele estava sempre fechado quando eu fui lá, mesmo no meio do dia de um dia de semana.

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b) de van. Pra você que achou caro ou perigoso ou ambos, a única opção é se meter numa van-lotação e enfrentar 12 horas de estrada esburacada, instransitável dependendo das chuvas e da época do ano. Algumas vezes sai pela manhã, mas normalmente parte no fim do dia e você passa a noite inteira na estrada (nem a paisagem da floresta dá pra curtir). Sai em torno de US$ 75 por pessoa (convertido em moeda local).

Ou seja, vale gastar um pouco mais pra ir de avião (rezando pra chegar inteiro).

Avião1_GY   Avião2_GY

Georgetown

Se você for de avião, vai chegar em Ogle, o aeroporto para aeronaves de menor porte que fica dentro da cidade. O táxi do aeroporto ao centro dá US$ 10.

Para hospedar me foi indicado o Status Hotel, cujo dono é brasileiro e, dizem, as diárias são mais acessíveis. Mas não respondeu meus emails e não consegui confirmar valores, então acabei optando por um que achei no Air BnB.

A cidade me pareceu velha, mal cuidada, feia. E, parafraseando  mais de um morador, “perigoso é, né? Mas onde não é? Evite andar pelas ruas sozinho à noite.” Ou seja, nada que nós, moradores das grandes cidades, não estejamos acostumados. E, nunca, jamais, beba água que não for mineral. A chance de pegar um cólera não é pequena.

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Até a prefeitura, por exemplo, parece meio abandonada.

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Mas nem tudo é só coisa feia. Tem a Red House, antiga residência do primeiro-ministro da Guiana Britânica Cheddi Jagan, que hoje abriga um arquivo de documentos históricos em seu nome, a Suprema Corte e outros prédios mais bonitos.

Red_House_GY   Suprema_Corte_GY  Prédio_bacana_GY  Biblioteca_Pública_GY

Outro monumento histórico é o “The non-aligned monument” feito em homenagem a uma cúpula que aconteceu na cidade em 1972 com os líderes dos países não-alinhados: Egito, Gana, Índia e antiga Ioguslávia. Agora, com o que países tão díspares não eram alinhados, ou por quê a reunião aconteceu na Guiana, não consegui apurar.

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Ainda falando em monumento, no D’ Urban Park (que ainda estava em obras) tem o famoso (lá pra eles) Monumento 1763, carinhosamente conhecido como “Cuffy”, que homenageia uma rebelião de escravos acontecida naquele ano.

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Perto dele há o Jardim Botânico, um passeio que sempre acho interessante (pelo menos até conhecer o da Guiana Francesa)  e o Botanical Gardens de Georgetown é bem legal. Pra melhorar a visita, o zoológico fica ali também.

Botanical_Gardens_GY   Kissing_Bridge_GY  Zoo1_GY  Zoo2_GY

A igreja mais famosa da cidade é St George Cathedral (não tem foto por dentro que por dentro igreja é tudo igual).

StGeorge_Cathedral1_GY   StGeorge_Cathedral2_GY

Tem o mercado municipal deles, o Stabroek Market, mas é mais do mesmo: aquele mercadão confuso, sujo, escuro, em que se vende de tudo e para todos: animais vivos, pasta de dente, roupa, verduras, acessórios para celular, etc. Curioso foi perceber como eu, loiro alto e de olho claro, era visto como diferente, uma presença não usual ali, onde todo mundo (todo mundo mesmo) era negro. Fui parado para conversar e para tirar foto, perguntaram de onde eu era e se eu estava gostando de Georgetown.

Stabroek_Market1   Stabroek_Market2 Stabroek_Market3   Stabroek_Market4

Na parte mais sul da cidade, que só por causa do taxista que me indicou e me levou até lá, eu conheci uma das coisas mais interessantes e pitorescas da viagem: o Steel Pan Museum.  Steel Pan é isso mesmo o que você está pensando, a boa e velha panela de ferro, que foi transformada em instrumento musical. Surgida em Trinidad e Tobago, o instrumento ficou extremamente popular em Georgetown. Aí um cara, o Roy Geddes (um senhorzinho negro de cabelo branco, simpatissíssimo, apesar de eu entender apenas parte do que falava), verdadeira sumidade no assunto, resolveu transformar a própria casa em um museu.

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“Mas e o mar?”, pergunta você. “Georgetown não é banhada pelo mar?”. Sim, respondo eu. E não vale a pena a visita.Um muro separa a rua do mar e faz as vezes de rua da praia, onde o pessoal vai caminhar ou fazer cooper.

paredão_GY   Mar_GY

Tem até um farol, mas não tem tem absolutamente nada de interessante.

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E, pra finalizar, a minha obsessão: o estádio de futebol. Claro que futebol não é dos esportes mais populares por lá, o críquete ganha de longe, seguido pelo rugby, mas os três esportes dividem o estádio nacional. Estava rolando uma partida de rugby, que eu não entendo direito, mas quem liga pra regras, não é verdade?

National_Stadium_GY

Interior

Talvez o único passeio que realmente valha a pena na Guiana seja a visita a Kaieteur Falls, uma das maiores quedas d’ água do mundo, com quase 1000m (perde por pouco para a vizinha Salto Angel, a maior do mundo, na Venezuela).

As mesmas empresas de aviação que fazem a rota Lethem-Georgetown, a Air Services Limited e a Trans-Guyana, oferecem um pacote com passeio até lá que inclui voo em teco-teco até o meio da floresta com sobrevoo pela cachoeira (esq) e trilha rápida pela mata até chegar na pontinha da danada (dir). Não é barato, sai US$ 150 por pessoa, convertidos em moeda local, e o passeio dura apenas meio dia, mas mesmo assim eu achei que compensava.

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Dizem os índios Patamona que Kaie, um antigo chefe da tribo pulou lá de cima, se sacrificando para que o Grande Espírito Makonaima salvasse a tribo da destruição certa pelas mãos do selvagem espírito Caribisi. E eis que em janeiro de 2016 uma turista fez o passeio e, adivinha?, achou que seria legal refazer a lenda e se jogou de lá de cima para a morte. Não posso dizer que o suicídio não foi e grande estilo, mas acabou que o passeio foi suspenso até segunda ordem e as autoridades guianesas iriam apurar o que fariam a respeito. É provável que hoje em dia o passeio já tenha sido retomado, mas somente como um sobrevoo pela floresta e cachoeira, sem a trilha até a beira do precipício. Uma pena. Não que um passeio num teco-teco não seja emocionante e a vista mesmo com sobrevoo não seja de tirar o fôlego, mas o passeio mais interessante do país acabou de ficar menos interessante.

Quer a melhor dica? Uma vez em Georgetown, compre uma passagem para Curaçao, míseros US$ 120 ida e volta pela Caribbean Airlines. Você vai ver de perto essa maravilha abaixo.

Capa_Curacao

Mais: se liga em todas as maravilhas de Curaçao

Mais: veja como ir, por terra, da Guiana ao Suriname e à Guiana Francesa (em breve)

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