João Pessoa (PB)

joao pessoa

O que você já ouviu falar de João Pessoa? Eu só sabia que lá ficava (e ainda fica, aliás) a Ponta do Seixas, o local mais a leste do Brasil. (Mas até aí a Serra da Contamana, ponto mais oeste do Brasil, fica nos confins do Acre e não me interessa conhecer, por que esse em João Pessoa seria diferente? Ah, e eu sabia também que o “NEGO” na bandeira da Paraíba era do verbo “negar”, e não tinha a ver com a cor da pele, como eu imaginava quando criança. Mas aí é informação sobre a Paraíba, não necessariamente de João Pessoa). Ou seja, eu era um completo ignorante sobre essa capital e nem fazia tanta questão de deixar de sê-lo. E vou te falar: não podia estar mais errado. Sem a fama de Salvador, Fortaleza ou Natal, mas com praias e atrativos tão legais quanto, e algumas outras que só têm lá, a cidade é imperdível. Aliás, experimente ir agora, enquanto não é famosa e os grupos de turistas da CVC ainda não causam irritação excessiva.

Em matéria de praias, João Pessoa tem alguns exemplares tão lindos como em qualquer parte do nordeste, como por exemplo Coqueirinho, que além de linda tem uma ótima infra de restaurantes/barracas de praia (nunca sei quando devo usar a nomenclatura de um ou de outro).

Coqueirinho 1 Coqueirinho 2

Pegue um buggy e faça o passeio pelas praias do litoral sul: Barra do Gramame, Amor (a esq), onde quem passar pelo arco de pedra vai encontrar um par ou ter seu amor garantido de durar para sempre, Jacumã, Tabatinga e Coqueirinho e Tambaba (a dir). Tem falésias e coqueiros e águas azuis para ninguém botar de feito. Tambaba, aliás, é famosa por ser uma praia de nudismo. Se não estiver afim de tirar a roupa, você só vai até certo ponto da praia (que foi onde eu cheguei. O mundo não merece me ver pelado). Dá pra ir por conta, via ônibus, até o município de Conde, e a partir de lá pegar mototaxi para as praias, mas a economia não é tanta e o esforço não vale (a não ser que você queira ter mais histórias de perrengue para contar na volta).

praiadoamor tambaba

A Ponta do Seixas é visita obrigatória, obviamente, e o Farol de Cabo Branco é uma daquelas fotos clássicas do tipo “fui-pra-cidade-tinha-que-tirar-foto-lá”. A partir de Tambaú, que é onde você provavelmente estará, é bem fácil chegar de ônibus. E do Farol você vai à pé até a praia (fui alertado sobre possíveis roubos na trilha até a praia, mas estando em no mínimo duas pessoas creio que não há perigo).

Ponta do Seixas Farol Cabo Branco

Também em Cabo Branco tem a agradabilíssima surpresa da Estação de Ciências de Cabo Branco (esq). Um prédio projetado por Niemeyer (o cara era incansável) abriga exposições e um jardim superinteressante, cheio de experiências científicas em grande escala para o deleite das crianças (e nosso também, à dir.).

Estação da Cultura Estação da Cultura caminho

Surpreendentemente antigo (não fazia ideia que a cidade é de 1585) e cheio de construções de época é o centro histórico de João Pessoa. Batendo à pé (prefira à tarde, quando o sol talvez seja menos castigador) você vê um monte de coisa interessante. O ideal é que você passe em um Centro de Atendimento ao Turista e pegue um mapinha mais completo para se guiar, mas algumas sugestões de visita são o Palácio da Redenção e Paraíba Palace Hotel (que foi restaurado e hoje é um shopping center. Aproveite para uma pausa pra lanche num edifício art-decó).

palacio-da-redencao Paraiba Palace 04

Theatro Santa Rosa e Mosteiro de São Bento, o mais antigo da cidade (que, como em São Paulo, tem canto gregoriano)

Theatro Santa Roza Mosteiro São Bento

Igreja de São Frei Pedro Gonçalvez e o antigo Hotel Globo

Igreja de São Frei e Pedro Gonçalvez hotelglobo

Perto um do outro tem a Igreja de Nossa Senhora do Carmo (esq), de 1592, a Capela de Santa Tereza D’Ávila, o Palácio do Carmo e o Casarão de Azulejos (dir).

Nossa Senhora do Carmo CASARÃO-DOS-AZULEJOS

Mas se você estiver com o tempo curto, vá direto para o Centro Cultural São Francisco e faça a visita guiada. Igreja linda pra cacete, barroca até os ossos, não faltou ouro, mármore de carrara, jacarandá e outros materiais nobres na construção. O Convento de Santo Antônio tem, segundo a UNESCO, um dos mais belos púlpitos do mundo.

igreja-de-São-francisco IgrejaSFancisco

Na praia de Cabedelo, no litoral norte, tem o passeio até a Ilha de Areia Vermelha: de manhã barcos partem até um banco de areia distante da costa, onde são dispostas mesas e cadeiras de plástico e bares instalados em barcos vendem cerveja, petiscos e almoço. Sempre gostoso de ficar fazendo nada, mas se você já fez algum passeio parecido em algum ponto do litoral (tipo Coroa Vermelha em Porto Seguro) não vai curtir tanto assim. Se eu soubesse, teria trocado por um passeio de buggy pelo litoral norte que, dizem, tem várias praias lindíssimas e não tão conhecidas (inclusive o km zero da Transamazônica). Fica a dica.

Areia Vermelha 2 Areia Vermelha 1

Também em Cabedelo (aliás, Cabedelo quer dizer “pequeno Cabo”) fica a Fortaleza de Santa Catarina. O Forte, erguido em 1586, foi dominado pelos holandeses pouco antes da invasão a Recife. Menção honrosa ao trocadilho na entrada.

fotaleza-sta-catarina1 fortaleza-de-sta-catarina-3

Nesse forte de Cabedelo há a lenda da Mulher de  Branco, que seguranças do Forte juram já ter visto, ouvido ou sentido.

Mais: conheça a Lenda da Mulher de Branco de Cabedelo

Engraçado que na cidade onde o sol nasce primeiro, talvez o passeio mais famoso (que depois foi copiado para outras praias do nordeste) seja feito no por do sol. Vá até a Praia da Lagoa do Jacaré e abolete-se em um dos inúmeros bares à beira da lagoa para ver o pôr do sol enquanto Jurandy do Sax, por si só uma atração, toca Bolero de Ravel no sax enquanto o sol se põe. O ritual é repetido todo dia, há mais de 10 anos (foi pro Guiness) e a paisagem entrega o que promete. Lindo.

LAgoa do Jacaré JURANDY DO SAX 1

A noite em João Pessoa converge para a orla da Praia de Tambaú (provavelmente seu hotel estará por perto), com vários bares e quiosques. O mais famoso, que tem música ao vivo inclusive, é o Bahamas (à direita).

quiosque de praia 005  bahamas

Em tempo: fiquei no hostel na praia de Manaíra, vizinha de Tambaú (e não propícia para banho). Interessante foi ver, no fim de tarde ou a noite, na volta à pé para o hostel, que coexistem no calçadão esportistas correndo, pessoas caminhando e garotas de programa, alguns travestis inclusive, esperando por carros que passam, param, combinam o preço e levam. E, antes que você se pergunte, não, eu não parei e nem conversei e nem levei ninguém.

Mural

* consertando: na verdade, João Pessoa é a quarta cidade brasileira a receber os raios solares, devido a inclinação da Terra e outros aspectos técnicos. A primeira é Cabo de São Tomé, no Rio e Janeiro. Mas fica a mística por ser a cidade mais ao leste no Brasil. Tipo usar a expressão “Oiapoque ao Chuí” e Oiapoque não é o ponto mais ao norte do Brasil.

2 Comments

  1. No endereco http://escalonamento.tripod.com/ondeosolnasce tem as explicacoes cientificas sobre onde o sol realmente nasce primeiro.

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