Boi Bumbá

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O Boi Bumbá é uma festa folclórica que tem origem no Maranhão. Se espalhou por várias partes do Brasil (regiões Norte e Centro Oeste principalmente), mas todas contam praticamente a mesma história. Reproduzo aqui a que ouvi em Parintins, durante a apresentação do Boi Caprichoso.

Mais: Leia como foi a festa dos bois de Parintins e como ir até lá.

Havia um fazendeiro muito rico, com terras a perder de vista e incontáveis cabeças de gado. Mas um dos bois era o favorito da Sinhazinha, filha do dono da fazenda, que todo dia ia lhe dar comida, fazer um carinho e dançava com ele.

O principal funcionário da fazenda era o negro Chico cuja mulher, Catirina, estava grávida. Certa noite Catirina acorda de um sonho com desejo de comer língua de boi. Mas, de acordo com o sonho, não poderia ser qualquer boi. Tinha que ser, adivinha?, a língua do boi especial, o preferido, o xodó da filha do patrão.

– Milhares de cabeças de gado, e suas respectivas línguas à disposição, e você vai inventar de comer justo a do boi preferido da Sinhazinha? – teria arguido negro Chico.

– Mas é que se não for a língua desse boi, pode acontecer do nosso filho não nascer – teria retorquido Catirina.

Com a possibilidade do filho não nascer, negro Chico não tem dúvidas e mata o tal boi, e sua mulher prepara a língua e farta-se de comê-la. Tendo salvo a vida do filho, negro Chico que não é bobo nem nada foge para a mata, para escapar à ira do patrão, que certamente mandaria matá-lo. Na fuga, conhece uma tribo cujo pajé garante que pode ressuscitar o boi morto. Mesmo assim ele temia voltar à fazenda e o patrão ainda não acreditar nele e matá-lo. O pajé então destaca a Cunhã Poranga, a mulher mais bonita da tribo e guerreira feroz, para protegê-lo. Os três, nego Chico, pajé e Cunhã Poranga voltam à fazenda e, como previsto, o patrão não acredita na história de ressurreição e exige que negro Chico pague com a vida. Afinal é assim que se resolvem as pendengas de cabra-macho por lá. Mas a Sinhazinha, ao saber que seu boi preferido tinha sido morto para salvar a criança que Catirina esperava, comove-se coma história e intercede por negro Chico junto ao pai, que não resiste a um pedido da filha (e que pai resiste?) e capitula.

O pajé, com a bênção do rico senhor, promove seus ritos e acaba por realmente ressuscitar o boi, desta vez em um boneco de pano, e ele volta a dançar com a Sinhazinha. Com sua filha feliz, o fazendeiro também fica feliz. Negro Chico fica feliz porque não morreu e porque salvou seu filho, e Catirina ficou feliz porque comeu a língua do boi. E todos foram felizes para sempre. Principalmente a gente, que tem a festa do boi pra acompanhar.

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