Cabeça de cuia

A depender de como anda o mundo, vai ser difícil Crispim achar gente pra quebrar sua maldição...

A depender de como anda o mundo, vai ser difícil Crispim achar gente pra quebrar sua maldição…

A lenda, contada em Teresina, fala de Crispim, um jovem pescador que vivia com a mãe às margens do Rio Parnaíba. Ele não era lá muito flor que se cheirasse,  nervoso e violento. Muito humildes, dependiam da pesca para sobreviver e muitas vezes passavam fome. Certo dia, ao voltar especialmente irritado de uma pescaria infrutífera, revoltou-se com a mãe que lhe serviu de almoço um caldo ralo com sobras e ossos (a única coisa que tinham em casa). Atirou o osso na cabeça da pobre coitada, ferindo-a mortalmente. Ela, contudo, antes de morrer teve tempo de jogar-lhe uma maldição: Crispim haveria de se tornar uma monstruosidade que passaria a vida a vagar pela margem do Rio Parnaíba, comendo restos de peixes e animais mortos. A maldição duraria até que ele  comesse (no sentido original seria devorar, mas com o tempo passou a ter um cunho mais sexual) sete virgens de nome Maria.

Os anjos disseram amém e ele tornou-se um ser esquelético de cabeça enorme, em formato de cuia, que assusta pescadores, vira embarcações e persegue as moças que se aproximam da beira do rio.

Em Teresina, na junção dos rios Poty e Parnaíba, há uma estátua  dele e por ali sempre tem alguém que conhece alguém que soube de outro alguém cujo vizinho ou tio ou sobrinho jura que viu o Cabeça de Cuia.

A Prefeitura de Teresina instituiu a última sexta-feira do mês de abril como o Dia do Cabeça de Cuia.

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