Maceió (AL)

Sem medo de errar: Alagoas tem algumas das mais belas praias que eu já vi. Imagine que a beleza do lugar é proporcionalmente oposta à qualidade dos seus governantes. E lembre-se que Collor já foi governador do estado. Deu pra ter uma ideia?

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Dá pra ficar uma semana na boa em Maceió, que você vai ter coisa bacana para ver todos os dias. Mas, se você tiver condições ideais de temperatura e pressão, quer dizer, de tempo e dinheiro, reserve uns 15 dias (ideal) ou o quanto der e, além de conhecer Maceió, suba de carro até Recife.  Como diria a minha avó: de cair o cu da bunda.

Mais: a Costa do mar esmeralda – de Maceió a Recife (ou vice-versa). (em breve)

Você provavelmente ficará na praia de Pajuçara. Ou Ponta Verde, que é do lado. Em Pajuçara, faça de cara o passeio para as piscinas naturais (é bacana, mas você vai passar por outras piscinas naturais mais interessantes, então é importante ir melhorando gradualmente, para não deixar essa por último e se decepcionar). Só ir até a areia e acertar o seu lugar em uma das várias jangadas que ficam por lá. Importante verificar com os barqueiros, ou no hotel, a tábua das marés. Assim você sabe a hora certa de chegar na praia e aproveitar bem as piscinas antes da maré subir (lenta e gradualmente).

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A água é bem límpida e você nem precisa de snorkel para ver peixinhos, mas se levar um, ou alugar um, pode achar mais divertido dar uns mergulhinhos lá. E tem vários barcos-bares pra tomar uma cerveja e comer uma porçãozinha.

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À noite, há a feira de artesanato da Pajuçara e as duas principais barracas a beira mar ficam lotadas: Kanoa e Lopana. Mas há outras barracas onde dá pra comer e beber bem, sem pagar os preços muito mais caros que essas duas praticam. E, se preferir os bares que os moradores locais frequentam, vá até o bairro de Stella Maris, mais pro lado de Jatiuca, e tente o Alagoana ou a Cachaçaria Dona Branca.

kanoa alagoana

Voltando às horas ensolaradas: como em outras capitais brasileiras, há praias ao sul e ao norte. “E faz diferença a ordem em que eu visitar?” você pode estar se perguntando. Se você, assim como eu, curtir mergulho, faz sim. Nesse caso, comece pelo sul e depois suba até, ou além, a divisa com Pernambuco. Se mergulho não for a sua praia (perdão pelo trocadilho), não faz diferença nenhuma.

Bem ao sul, na divisa com Sergipe, fica a foz do São Francisco (clique abaixo para ver em detalhes). Vale muito a pena e fica até mais perto de visitar do que a partir de Aracaju, por exemplo. As empresas turísticas ainda oferecem o passeio para os Canions do Xingó. O passeio é espetacularzíssimo, mas eu já tinha feito quando da visita a Aracaju, então não sei o quanto é verdade o que dizem, que é longe e cansativo.

Mais: foz do São Francisco, o encontro do rio com o mar (e não qualquer rio). Precisa dizer mais?

Mais: Cânions do Xingó. Simplesmente deslumbrante.

Seguindo do sul em direção a Maceió, a uns 60 quilômetros da cidade, você chega em Jequiá da Praia, onde estão as fabulosas Dunas do Marapé: falésias com diferentes tons ferrosos, coqueiros e o encontro da Lagoa de Jequiá com o mar (verde e com recifes).  Quer cenário melhor para sentar e se empanturrar de frutos do mar e cerveja gelada?

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Subindo um pouco mais em direção à capital ficam as praias mais famosas de Maceió. A praia do Francês também tem passeio de jangada (e você vai entender o porquê de eu ter sugerido Pajuçara primeiro). E nessa praia também a galera mais jovem, gente bonita e clima de paquera, prefere passar o dia (e as noites. Se estiver em busca, dormir por aqui um dia pode ser uma boa pedida).

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A Praia do Gunga é maravilhosa, com mais falésias coloridas estilo Dunas do Marapé, sua lama eficaz (dizem) contra diversos males e coqueiros, muitos coqueiros (a localidade tem a maior plantação de coqueiros do a) Brasil, b) América do Sul ou c) mundo – realmente não lembro – mas é enorme) emoldurando a água verde (curta a vista indo até o mirante). A infra também é ótima e tome mais um dia comendo muito bem e bebendo cerveja a valer (o tipo de coisa que, mesmo repetindo, não se enjoa).

Praia-do-Gunga_Falesias mirante-gunga

Da Barra de São Miguel (a praia que fica entre a do Gunga e a do Francês) para a Praia do Gunga há a opção terrestre (carro, van, ônibus, etc.), ou a opção de pegar um barco e fazer pelo mar, num passeio que dura uma hora e pouco e você passa por um recife onde vivem principalmente ouriços, e fica um tempo em um banco de areia, onde há uma infra-estrutura com barcos-bares para comer ou beber algo. Sinceramente? Eu fiz o passeio de barco e posso dizer que Gunga é mais bacana. Vá pela rodovia e gaste essa hora e pouco lá.

barco_passeio Banco de areia

Do lado de Pajuçara, não perca o passeio de barco pela Lagoa do Mundaú, até o encontro com o mar. São várias ilhotas onde vivem pescadores e rendeiras, cujos trabalhos podem ser comprados no Pontal da Barra. Completam a paisagem lindas praias isoladas, entremeadas por vegetação de restinga e manguezais.

Lagoa-Mundaú Pontal_Barra

Em Maceió, além das praias, tente dar uma passada no centro histórico. Sabe o dia que você for para as piscinas naturais de Pajuçara? Então, aproveite que é um passeio rápido e visite as diversas igrejas, como a Catedral Metropolitana (esq), a Igreja Bom Jesus dos Martírios (dir) e a Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos (abaixo). Normalmente essas que eram para segregar os escravos são as mais simples e as que eu mais gosto. Mas não consegui ver nenhuma: sorte máxima minha, estavam TODAS fechadas, a Catedral em reforma. Agora, quem sabe, estejam abertas à visitação.

Catedral_Maceio Captura de Tela 2015-01-19 às 21.08.44 Rosario_Homens_Pretos

Ainda bem que tem  outros lugares interessantes, como o museu Palácio dos Martírios (também conhecido como Floriano Peixoto, à esquerda), o Museu Théo Brandão de Antropologia e Folclore (pra quem gosta de folclore, é ótimo), e o Teatro Marechal Deodoro da Fonseca (nas fotos de baixo, há o interior dele e ele ao fundo com a estátua do Marechal em primeiro plano) .

Palácio Theo_Brandão Praça Marechal Deodoro deodoro-teatro-por-dentro

Para o norte, até a divisa com Pernambuco, a melhor dica é alugar um carro. Assim você consegue conhecer com calma, e aproveitar cada paisagem das dezenas de praias lindíssimas e tranquilas que existem nesse pedaço. Conheça Pratagi (também conhecida como Praia da Sereia – a estátua da foto mostra porquê), Ipioca e Paripuera, onde dá para pegar um catamarã e mergulhar nas piscinas naturais.

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São Miguel dos Milagres, é outra praia que entrega o pacote-sol-mar verde-coqueiro-porção de camarão e cerveja. Esse, aliás, é o novo ponto queridinho da galera que não está afim de encarar Maragogi (bem mais conhecida). Nela há o Projeto Peixe-Boi, que cuida da preservação desses mamíferos. Se estiver de carro, tente dar um pulo na vila vizinha, Porto de Pedras, e descobrir a sensacional e quase deserta Praia do Patacho.

Captura de Tela 2015-01-18 às 22.28.36 Patacho

A mais famosa das praias para esses lados, e sem dúvida merece a fama, é Maragogi (125 km). São três piscinas diferentes que podem ser visitadas, as mais legais (entenda-se com mais vida marinha) são as Galés (a maior) e a Taocas. Que fique claro que a Barra Grande também é muito legal, claro. Importante, como em qualquer das praias de Alagoas que têm piscinas naturais,  é ver o horário das marés, para aproveitar ao máximo o passeio.

Captura de Tela 2015-01-18 às 22.09.16 Captura de Tela 2015-01-18 às 22.08.52

E, depois de Maragogi, você ainda pode visitar as praias de Burgalhau (esq.), Barra Grande e Peroba (dir.), tão lindas quanto e muito mais vazias. Ideais para passar o dia fazendo absolutamente nada (não, nunca enjoa).

Captura de Tela 2015-01-18 às 22.09.45 Captura de Tela 2015-01-18 às 22.11.45

E pensar que tudo isso tinha o Collor como governador…

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