Oaxaca (MEX)

Antes de mais nada, o nome: pronuncia-se Oarráca.

Dito isso, vamos à pergunta: por que visitar Oaxaca? A cidade não é exatamente próxima da Cidade do México (são umas 7 horas de ônibus – uma distância São Paulo – Rio de Janeiro). Então, vale mesmo a pena se deslocar até lá? Bom, obviamente os motivos abaixo para mim foram mais do que suficientes.

Primeiro, a cidade.  A capital do estado de mesmo nome não é pequena (tem um estádio de baseball, inclusive). Mas você provavelmente ficará só no centro histórico, que dá para ser feito todo à pé. É aquela cidadezinha de interior, arquitetura típica e tudo o mais.

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Mas que tem um passado bem ativo de lutas e protestos. Em toda a cidade há desenhos e grafites e cartazes e palavras de ordem. E o povo tem muita história para contar se você perguntar o porquê disso (que eu poderia contar, mas pra que estragar a surpresa?).

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E Oaxaca está no centro de uma região produtora de mezcal (quase que uma tequila, mas com algumas diferenças no tipo de agave usado e no processo de destilação). Então, por todo o lado você vê mezcalerias com dezenas de rótulos, safras, sabores… tudo para você degustar e aprender.

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Na cidade, o passeio mais interessante – e bem interessante ressalte-se – é o Museu das Culturas de Oaxaca, que fica junto ao Templo de Santo Domingo.

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O Museu das Culturas de Oaxaca traz toda a história da região desde a época pré-colombiana até os dias atuais e custa módicos MX$65. Programaço.

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A praça central, a.k.a. Zócalo, também tem uma igreja e concentra o mais movimentados bares da noite oaxaquenha.

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E, pra finalizar a cidade, não poderia faltar uma volta no Mercado Municipal, para degustar o delicioso prato típico feito com Chapolines, ou pequenos gafanhotos fritos (qualquer semelhança com o Chapolin Colorado não é mera coincidência – ou você não lembra que ele tinha duas anteninhas?).

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Mas isso tudo você conhece em meio dia, na volta de um dos passeios que todo hotel, hostel ou agência de turismo na cidade vende. Então, você não precisa ficar mais do que dois dias na cidade. No primeiro faz um passeio e na volta bate perna pela cidade. No segundo dia, faz outro passeio e pode pegar o ônibus para outro lugar. “E quais são os passeios?”, você deve estar se perguntando. Continue lendo para descobrir, pequeno chapolin.

Passeio 1 – Monte Alban, Alebrijes, Igreja de Cuilapan de Guerrero, Cerâmicas de Barro Negro

Monte Albán talvez seja o mais famoso, e impressionante, passeio por Oaxaca. Se você já visitou Teotihuacan, na Cidade do México, talvez não fique tão impressionado com mais uma cidade pré-colombiana e suas construções monumentais. Mas seja por causa das pirâmides, do jogo de pelota, dos dançantes, da vista ou das histórias, eu ainda assim achei incrível.

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Na opção de passeio mais curta, o tour resume-se só ao Monte Albán. Na opção mais longa, você vai conhecer uma oficina onde são feitos os Alebrijes, pequenas esculturas de madeira que só são produzidas aqui, originalmente de dragões e outros animais místicos, que acabaram virando uma incrível miríade de seres, reais ou imaginários. Os primeiros pokemóns da história.

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O tour continua nas ruínas – e histórias – do templo de Cuilapan de Guerrero, que depois da conquista espanhola foi usado como base para a construção de uma igreja católica em homenagem ao apóstolo São Tiago (mas que ainda guarda alguns elementos das culturas anteriores). A igreja não resistiu aos terremotos e estava sendo reconstruída, mas nunca foi finalizada.

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Esse primeiro passeio finaliza com uma visita a mais um artesanato local. O barro negro era utilizado desde a época pré-hispânica para fazer jarros e vasos para (principalmente) armazenar água, mas perdeu a sua principal utilidade com o advento dos utensílios de metal, vidro e plástico. Você descobre toda a história de como uma senhorinha, a Dona Rosa, transformou sua produção em algo decorativo (que depois foi descoberto pelo Rockfeller e ficou famoso mundialmente).

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Passeio 2 – El Tule, Teotitlán, Fábrica de Mezcal, Mitla e Hierve el Agua

Esse dia de passeio começa com uma ida a Santa Maria Del Tule, onde está o maior – em diâmetro do tronco –  cipreste do mundo,com cerca de dois mil anos (nas fotos abaixo).

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Há uma visita a Teotilán Del Vale, região conhecida pela sua vocação tecelã, passada de geração a geração e onde todas as peças são feitas manualmente com pigmentos utilizados para colorir retirados da natureza (interessante a aula de onde sai cada cor).  Como os alebrijes e o barro negro do dia anterior, você pode encarar apenas como um passeio que vão te obrigar a comprar coisas. Ou pode encarar como aquisição de conhecimento.

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Daí, ainda antes do almoço, vem a visita a uma destilaria de mezcal. Você acompanha todas as etapas do processo (e pode se exibir depois pros amigos explicando as diferenças entre tequila e mezcal, como se fosse um legítimo entendedor da coisa). O ponto alto é, claro, o final, onde você experimenta uma dezena de tipos e variedades e sabores de mezcal e, sob efeito do álcool não encontra justificativa à pergunta “por que não levar uma garrafinha para casa, né?”

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A próxima parada é a sagrada Cidade dos Mortos de Mitla, onde os sacerdotes e os mais poderosos eram enterrados. Infelizmente, dizem os historiadores, ao perceber que os espanhóis tavam chegando e que tava tudo fudido mesmo, a galera levou tudo dali e enterrou um outro lugar desconhecido, ficando só os templos (que forneceram a matéria-prima para que ali do lado fosse erguida uma igreja católica, após a conquista).

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Por fim, uma paisagem natural que me foi totalmente inesperada e surpreendente: Hierve El Agua, a “cachoeira petrificada” (cuja água não ferve porra nenhuma, o motivo do nome é outro).

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No fim das contas, Oaxaca vale sim a visita.

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