Palmas (TO)

Antes mesmo de comprar a passagem, pesquisando na internet sobre o que fazer, eu fiz minha primeira descoberta: Tocantins, apesar de ser ex-Goiás, pertence à região norte. Chegando lá, outra descoberta: você dificilmente encontrará uma pessoa que tenha nascido por ali. A imensa maioria dos moradores vem de fora: Goiás, Brasília e, principalmente, Maranhão. É a capital mais nova do Brasil, criada com a Constituição de 88, ou seja, tem apenas vinte e cinco aninhos.  Pelo que me contaram, a criação do estado e principalmente de Palmas ajudou bastante no desenvolvimento da região, que era esquecida pelo Governo de Goiás. A cidade é tipo Brasília, toda planejada, bem arborizada, quente para caralho (como aliás todo o centro-oeste) e com largas avenidas. Curiosa a propaganda nas calçadas. Andando debaixo daquele sol, é uma questão de tempo até você ceder.

ruas Palmas Mototáxi

A maioria das pessoas está ligada ao funcionalismo público, ao governo nas suas três esferas, e prestadores de serviços que foram tentar a sorte em um novo horizonte de oportunidades que se abria.  A realidade é que ninguém vai para Palmas para fazer turismo: use a cidade como ponte para visitar o Jalapão, esse sim obrigatório.

Mais: Jalapão pra quem é racional: como chegar e o que esperar.

Mais: Jalapão pra quem é emocional: os passeios e as maravilhas.

O centro da cidade, que também é o centro geográfico do Brasil, abriga a Praça dos Girassóis, a segunda maior praça do mundo.

 Praça dos Girassóis praca-dos-girassois-2

A foto no marco do centro geodésico do Brasil é essencial.

 Marco Geodésico 1 Marco Geodésico 2

Perto do centro geodésico ficam o Monumento Súplica dos Pioneiros e, em frente dele, o Cruzeiro de fundação da cidade.

Monumento à Súplica Cruzeiro Palmas

Na praça ficam também todas as secretarias do estado, além dos principais prédios dos três poderes. Destaque para o Palácio Araguaia, sede do poder executivo (leia-se “local de trabalho do governador”). No chão, repare na figura gigantesca que mostra os quatro pontos cardeais.

 Palacio Araguaia 3 Palácio araguaia 2

Dentro do Palácio, além da maquete da praça, dois painéis contam a epopeia da criação de Tocantins.

 Painel 1      Painel 2

E os frisos (são quase duas dezenas) na parte superior externa do prédio também contam toda a história do Brasil, terminando com a criação de Tocantins.

Friso 1 Friso 2

Do outro lado do Palácio Araguaia há o Memorial Luiz Carlos Prestes, projetado por Niemeyer (só de olhar você reconhece), que mostra a vida do cara e dá destaque à Coluna Prestes.

Memorial Luis Carlos Prestes Luis Carlos Prestes

E o Monumento aos 18 do Forte.

18.1 do Forte 18.2 do forte

Mas toda a Praça dos Girassóis, andando com calma e contemplando bastante, você mata em uma manhã. Aproveite a tarde para visitar uma das praias formadas pelo enorme Lago de Palmas, formado para a construção da hidroelétrica. A Praia da Graciosa é a mais perto do centro. Tem bons restaurantes na beira da Marina e bons quisosques para ficar tomando uma e comendo uma porção enquanto vê o pôr do sol (lindíssimo, talvez o melhor programa de Palmas).

Praia da Graciosa Por do Sol Graciosa

Da marina da Praia da Graciosa você pega um barquinho que te leva até a Ilha de Canela, para você ficar basicamente bebendo cerveja e comendo petiscos em mesinhas dentro da água até umas cinco da tarde, quando o restaurante fecha e todo mundo tem que voltar.

Ilha de Canela Ilha de Canela 2 Ilha de Canela 3 Ilha de Canela 4

A Praia do Prata (esq.) é mais afastada do centro, frequentada por famílias e pessoas um pouco mais abastadas, tem o mesmo esquema de mesas dentro d’água da Ilha da Canela. Diferente da Praia do Cajú (dir.), a mais afastada de todas, que é povão na veia, onde farofa e música alta (e, para mim, também a diversão) são uma constante.

 Praia da Prata Praia do Caju

O Palacinho, primeira construção de Palmas e sede provisória do governo, hoje é um Museu Histórico sobre a construção da cidade. Se tiver algum tempinho livre, vale a curiosidade (melhor do que ficar olhando para a parede do hotel). Se bem que, quando eu fui, passei uns bons vinte minutos ali dentro, olhando tudo, e não vi viv’alma, dava para sair com qualquer coisa debaixo do braço que não seria impedido.

Palacinho Palacinho interna

Em Taquaruçu, que fica no caminho para Ponte Alta do Tocantins (uma das entradas para o Jalapão), há a Serra do Lajeado. Detalhe para a carne de sol, que é posta para secar ao sol e realmente merece esse nome.

Taquaruçu WP_20141001_007

Qualquer agência de turismo da cidade (perguntando no hotel você acha algumas – ou tente essas opções aqui no post sobre Jalapão) leva você para curtir  as cachoeiras do Escorrega Macaco e da Roncadeira. Nessa última, inclusive, dá para fazer um rapel que provavelmente é a segunda melhor coisa para ser fazer em Palmas (depois do pôr do sol na Praia da Graciosa).

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E, por fim, já que estamos no Planalto Central, por que não aproveitar a culinária? Na Feira da 304 Sul há pamonha e tapioca de tudo quanto é sabor para você se fartar (menção honrosa à pamonha de carne seca com jiló, uma das mais espetaculares que já comi). Além, claro, dos bons e velhos picolés de frutas com sabores típicos do cerrado.

Feira 304 Sul Pamonha de jiló

Mas, sério, cá entre nós: encare Palmas como “descanso da viagem para o Jalapão”, já que você não precisa de mais do que dois dias para fazer tudo isso aí em cima.

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