Porto Alegre (RS)

Na minha (nada pequena) ignorância, eu via os gaúchos como um povo frio, distante, diria até preconceituoso. Hoje vejo que confundi o imenso orgulho que eles têm das tradições com empáfia (talvez um ou dois gaúchos que eu tenha conhecido eram realmente arrogantes e ajudaram a cristalizar essa impressão). Mas nada como ir para Porto Alegre para perceber como eu estava errado. Povo simpático ao extremo, acolhedor, alegre, agregador. E lindo. A cada três minutos e meio, em média, eu me apaixonava por um sorriso. Empate técnico com Goiânia no quesito maior proporção de mulheres lindas e risonhas do universo conhecido (sendo universo conhecido = essa expedição de redescobrimento do Brasil).

linha turismo porto alegre

Porto Alegre tem aquele ônibus turístico dois andares com guia bilingue e tals que é um enorme quebra-galho para o turista. São dois roteiros.  A rota da zona sul, sem paradas, eu não peguei. Só sei que, se tivesse feito, teria passado pelo Santuário Nossa Senhora Mãe de Deus, no alto do Morro da Pedra Redonda, e teria uma vista de toda a cidade.

Santuário Mãe de Deus Captura de Tela 2015-01-14 às 22.35.25

Fiz só o city tour do centro, onde você pode descer e voltar para o ônibus onde bem entender. A Praça da Alfândega, no centro, é um bom ponto de partida, porque tem várias coisas perto. Um trilegal, guri, é o Memorial do Rio Grande do Sul, com tudo o que diz respeito à cultura do estado. Não tem como visitar e não sair contaminado, tchê!

pça alfândega Memorial RS

Na Praça da Alfândega você um monumento a dois gênios da poesia: o ilustre riograndense Mario Quintana, num bate papo descontraído com Carlos Drummond de Andrade. Quintana, aliás, também foi homenageado com a Casa de Cultura Mario Quintana, altamente recomendável.

drummond-quintana casa_de_cultura_mario_quintana

Pertinho da Casa de Cultura Mario Quintana está a Igreja Nossa Senhora das Dores, uma das mais antigas da cidade.

Nossa Senhora das Dores1 Nossa Senhora das Dores2

Ainda no quesito “artista-do-rio-grande-que-tem-museu-com-seu-nome”, não perca a Fundação Iberê Camargo, à beira do Rio Guaíba. O impacto já começa com a arquitetura, diferentona interna e externamente. Além do acervo, dê um visu pelas (poucas) janelas do museu e tenha uma vista diferente da cidade (e do rio).

Iberê Camargo vista-ibere-camargo

A Praça da Matriz (acima, esquerda), outro ponto turístico icônico, tem aos fins de semana um passeio guiado, os “Caminhos da Matriz”. Eu não consegui fazer (melhor confirmar dia e horário no Centro de Atendimento ao Turista) mas dá para você ir sozinho, de boa e ver no entorno o Palácio Farroupilha (acima, direita), o Palácio Piratini, o Museu Júlio de Castilhos, o Solar dos Câmara e o Theatro São Pedro.

Praca da Matriz  Captura de Tela 2015-01-18 às 11.10.42 Solar Câmaras Theatro São Pedro

Destaque para Catedral Metropolitana, que tem uma das maiores cúpulas do mundo.

Catedral Metropolitana cupula-catedral

A Usina do Gasômetro, construída para fornecer gás (claro que você já imaginava) para iluminação pública, foi transformada em um ótimo e grande e rico centro cultural.

Gasômetro

Além de exposições, filmes e encontros (estava rolando o Fórum Social Mundial quando eu fui), não perca um dos dois programas mais típicos gauchescos: ver o por do sol no gramado à beira do Rio Guaíba. (E veja uma estátua horrorosa de mais uma celebridade rio grandense, a pimentinha Elis Regina).

por do sol guaíba alis regina

Da Usina, inclusive, você faz um passeio de barco muito bacana pelo Rio Guaíba, passando pelo lado bonito da Ilha das Flores (que eu só conhecia do curta do Jorge Furtado) e que dá mais uma paisagem da cidade de Porto Alegre.

passeio guaiba 2 passeio barco 1

O Parque da Redenção, mais conhecido como Parque Farroupilha, é o local para um dos mais tradicionais passatempos dos porto-alegrenses: se encontrar para conversar e tomar chimarrão. Se você não tomou chimarrão compartilhado no Parque Farroupilha, não veio a Porto Alegre de verdade.

Paruqe Farroupilja chimarrão

Outro parque famoso é o Parcão (ou Parque Moinhos de Vento) fica num dos bairros mais phynos de Porto Alegre. Gente phyna corre ou caminha phynamente durante o dia. A mesma gente phyna que está nos seus bares, restaurantes e baladas phynas durante a noite. Quem curte glamour, requinte e sofisticação tá em casa.

moinho-vento parcao

A antítese (e por isso mesmo, ao meu ver mais apaixonante) ao Bairro Moinhos de Vento é a Cidade Baixa. O nome entrega o que promete: a boemia da cidade. Bares e mais bares e baladas com a mais variada mistura de gente, num clima mais, como dizer… simples (e, claro, com a beleza peculiar dos gaúchos. Meu tipo de lugar).

escadaria cidade baixa balada-rs balada-cidade-baixa

Triste foi o fato de eu não ter conseguido ir a nenhum dos estádios de futebol, nem do Internacional e nem Grêmio. No domingo maisem que eu na cidade estive aconteceu um fato ainda mais triste: o incêndio da boate Kiss. Aí não teve rodada de futebol, em respeito e luto às vítimas. Mas ver uma partida em algum dos estádios é um ótimo motivo para eu voltar.

E, por último, não posso deixar de mencionar um dos grandes símbolos do Rio Grande: a estátua do Laçador, que você vê assim que sai do aeroporto.

Laçador

Mais: o frio e os prazeres gastronômicos de Gramado e Canela

Deixar uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *