Presidente Figueiredo (AM)

Com o merecidíssimo apelido de a Cidade das Cachoeiras, Presidente Figueiredo não é tão conhecida pelas pessoas de fora de Manaus ou da região norte em geral.

Mais: já passou por Manaus?

Os turistas que desembarcam em Manaus normalmente se satisfazem com a capital (que não tem poucos atrativos) e com a floresta amazônica. Uma pena, não sabem o que estão perdendo. O ideal é conhecer algum manauara, que já tenha visitado Presidente Figueiredo. Mas dá pra alugar um carro e ir sozinho. Até de ônibus, bem no perrengue, dá pra ir, mas lá você vai sofrer mais para chegar até as cachoeiras (ou gastar mais com táxi ou mototáxi).

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Uma dica que pode ser óbvia, mas ainda assim é preciosa: prefira ir fora dos fins de semana e de feriados. Nesses períodos o afluxo de gente obviamente é bem maior e, como várias cachoeiras têm limite de visitantes por dia, periga até de você não conseguir visitar alguma. Ou, mesmo se conseguir visitar tudo, bem melhor fazê-lo estando o ambiente mais calmo, não é? Sem aquela muvuca e barulheira que grandes grupos normalmente fazem. (Ah, de 27 a 30 de março tem a Festa do Cupuaçu, fruta da qual é o maior produtor no Amazonas. E em outubro tem o torneio de pesca esportiva do tucunaré. Não vi de perto em nenhum dos dois, mas desconfio que, se você quer paz e tranquilidade, seria sábio evitá-los).

pres. ifugeiredo 2

Chegar na cidade é simples: fica a uns 100km de Manaus, a estrada está boa (surpreendente em se tratando de selva) e você vai babando na paisagem. Chegando lá, você topa de cara com o Centro de Atendimento ao Turista. Pode optar em já entrar e achar um guia e programar o seu roteiro, ou pode ir para a pousada/hotel e depois voltar no CAT. Se for fora de temporada, dá pra achar de boa onde se hospedar. Se você não leu a dica acima e for no feriado, férias ou fim de semana, melhor ligar antes, reservando.

CAT_ Presidente Figueredo pres. figueiredo1

Fato é que você vai precisar de um guia, mesmo que várias cachoeiras estejam às margens da Estrada da Balbina (primeiro porque é obrigatório e segundo porque sem eles você não saberia chegar nas melhores). A diária sai una R$ 100, dependendo do passeio. A associação dos Guias de Selva, na frente da rodoviária, também fornece mão de obra (o preço é o mesmo). Você ainda vai ter que pagar pra entrar nas propriedades privadas, mas nada que assuste (uns 5 ou 10 reais).

Se você saiu cedo de Manaus, provavelmente chegou pouco antes do almoço. Então passe na pousada, deixe suas coisas, dê uma volta pela cidade e dê um pulo no Parque Urubuí, perto do centro (uma escultura de beleza duvidosa não vai te deixar errar). Dá pra já cair na água e almoçar (o tucunaré, sempre bom, é a especialidade). Para quem curte artesanato, há lojas com trabalhos dos índios locais.

indio-feio  urubui

Durante a tarde, dá pra fazer o passeio da Caverna Maroaga e da Gruta da Jureia, o mais famoso da cidade. Na Gruta da Jureia não há uma cachoeira propriamente dita, tá mais para um jato e água, mas dá para tomar um bom banho.

Caverna_Maroaga judeia

Nos outros dias você parte para as cachoeiras. As mais fáceis de chegar são:

Cachoeira do Santuário (que tem uma imagem de Santa Clara, na foto à direita, no canto inferior direito, e era usada pelos índios em rituais de purificação, segundo consta)

SAntuário1 Santuário-santa

Cachoeira da Onça (esquerda) e a Cachoeira da Porteira (direita).

Cachoeira da Onça  Cachoeira da Porteira

Cachoeira das Orquídeas, em cuja trilha dizem os guias que não é difícil de ver cobras BEM venenosas. Mas é aquele esquema: não pise em montinhos de folhas, fique esperto e nada vai acontecer. E vale o risco.

Cachoeira Orquídeas

Outra trilha, mais fácil ainda, leva à Cachoeira de Iracema. No caminho você conhece o palácio do galo-da-serra, uma gruta onde a ave típica da região amazônica faz seu ninho.

Cachoeira-Iracema Palácio do Galo da Serra

A partir dela, mais meia hora de caminhada e você  chega na Cachoeira das Araras.

Cachoeira das Araras

Dependendo do passeio do dia, ainda dá para passar pela Cachoeira Paredão das Lajes (esq.) e pela Cachoeira Sussuarana (dir.)

Paredão-Lajes Cachoeira da Sussuarana

Agora, as duas mais legais da cidade. A primeira, a Cachoeira Salto do Ipy. O caminho até ela, no meio da floresta fechada, por si só é uma aventura sensacional. São duas horas de caminhada, mas nada difícil (apesar de suar em bicas). Nem precisa de tanta sorte para ver tucanos, araras e cotias.  A queda, uma das mais altas que eu fui, dá uma ducha ótima (apesar de que não rola nadar, por conta das pedras).

ipy  ipy

A outra, mais desconhecida, é a Cachoeira da Neblina. É a maior queda que existe na cidade e, apesar de não ser nenhuma Catarata do Iguaçu, ser a maior num lugar conhecido como Cidade das Cachoeiras não é pouca coisa. A trilha até ela, também, é a maior de todas – são 8 quilômetros de ida e mais oito de volta. Ou seja, você caminha pra caralho, num ambiente úmido pra cacete, suando que nem louco. Se a trilha dentro da mata para a Cachoeira do Salto do Ipy já era sensacional, essa, mais mata adentro ainda, é de outro mundo. Lembrei do livro “Sangue Fresco”, da Turma do Gordo, a mesma de O Gênio do Crime (não conhece? O que você leu na infância?), que eu li quando criança: uma funda camada de folhas cobre o solo e árvores gigantescas acompanham por todo o caminho. Use tênis fechados, porque aqui a história de “você pode topar com cobras que se escondem sob as folhas” é real, aterrorizantemente real. Mas, meu amigo, a chegada, que ainda reserva um barranco onde você vai usando as raízes das árvores como apoio, compensa. Cachoeiraça (ou cachoeirassa?), o vapor d’ água tomando conta de tudo e um local para você dar um mergulho.  É programa de dia inteiro. Mas que programa!

cachoeira-neblina

Mas não vá embora da cidade ainda! (pode parecer brincadeira, mas fui para passar dois dias e fiquei quatro!). Vale conhecer a Lagoa Azul: diferente de todas as outras cachoeiras, é o único lugar de Presidente Figueiredo cujas águas não são escuras (daí o nome do lugar).

Lagoa Azul (2)

E, se você cansou de tanta cachoeira (dá pra cansar?), pode conhecer a Vila de Balbina, que surgiu com a Usina Hidrelétrica de Balbina. Faça a visita guiada pela usina (precisa agendar) e, se você tiver sorte, pode ver os botos rosa que vira e mexem aparecem.  Preciso dizer que comer à beira do lago é obrigatório?

Captura de Tela 2015-01-18 às 16.49.37 hidrelétrica Balbina Captura de Tela 2015-01-18 às 16.48.53 Captura de Tela 2015-01-18 às 16.49.24

2 Comments

  1. Achei bem legal compartilhar as experiências e fotos das cachoeiras mais remotas de Presidente Figueiredo. Sou da região mais não conheço as mais distantes.

    • Valeu, cara! A gente normalmente não para pra explorar a fundo a região onde mora, né? Eu demorei um tempão pra redescobrir a minha São Paulo. Mas, quando vai pra lugares distantes, faz questão de se enfiar em qualquer aventura. Espero que sirva pra ajudar a guiar em algumas das belezas dessa cidade fantástica. Abraço!

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