Salvador (BA)

Que nem o Rio de Janeiro, Salvador é mais uma cidade que divide opiniões. É eu amo ou eu odeio, sem meio termo. E o motivo não podia ser outro: a capital da Bahia está cheia de… baianos. E eu defendo aqui a mesma coisa que defendo para o Rio: vá contando com o fato de que você vai se deparar com um povo extremamente simpático, mas malandro, alegre e cordial mas que te enche o saco tentando enfiar uma fitinha do Senhor do Bonfim no seu braço, e cobrar por isso mesmo você não querendo. Um povo extremamente engraçado e divertidíssimo de conversar, mas que definitivamente vive em uma velocidade diferente da sua. Tendo isso em mente, a chance de se frustrar ou aborrecer ou perder a paciência é bem menor. Mesmo porque a cidade é linda, está sendo revitalizada em vários pontos, e a chegada é a saída de aeroporto mais bonita que eu me lembro de ter visto no Brasil.

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Começando do básico, dos passeios que todo mundo que vai a Salvador tem que fazer: tirar essa foto do Elevador Lacerda, por exemplo. Com a vista espetacular da Baía de Todos os Santos ao fundo e tudo o mais.

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O Elevador em si não é nada demais, todo fechado.  Por isso, se você tiver a oportunidade de escolher, prefira ir primeiro para o Mercado Modelo, o prédio de arquitetura neoclássica que fica na parte baixa, para depois subir no Elevador e curtir a vista. O impacto é maior do que primeiro ver a vista e depois descer pro Mercado Modelo. Ah, e ainda sobre o Mercado Modelo, se for comprar alguma coisa entre as centenas de opções de artesanatos, artes, comidas e produtos típicos, pechinche. E depois, pechinche mais. O primeiro preço dado é sempre um “vai que cola”. Sempre rola desconto (e você pode testar como está a sua habilidade de negociação: dobrar um baiano não é mole).

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Saindo do Mercado você sobe o Elevador, tira a foto clássica e pode se espalhar pelo Pelourinho. Evite os prestativos baianos com suas fitinhas “grátis” do Senhor do Bonfim. Eles vão encher o saco e até ficar bravos com as suas negativas, mas você não vai se sentir extorquido ao ter que pagar caro por um simples pulseirinha.

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O Pelourinho é um dos primeiros Patrimônios da Humanidade tombados no Brasil, e tem coisas às pencas para visitar. Há inclusive várias opções de hostels, e não é nada mal pensar em se hospedar um ou dois dias para aproveitar o dia e a noite, que também é bem animada.

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Salvador gaba-se de ter uma igreja para cada dia do ano, e na cidade alta fica uma grande parte delas, como a Igreja de São Francisco (esq.), a Catedral Basílica (dir) e a Igreja da Ordem de Terceira de São Domingos (abaixo, esq.). Na Igreja do Santíssimo Sacramento da Rua do Passo (abaixo, dir.) foi filmada a cena clássica do filme “O Pagador de Promessas”.

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Tem a Casa Jorge Amado, com histórias da vida e todas as suas obras.

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Tem o ensaio do Olodum, que acontece aos domingos.

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E tem os acarajés e abarás das baianas típicas. Não tirei foto porque elas queriam cobrar e eu sou gordo de corpo e alma, preferi gastar em acarajés.

Outro ponto icônico é o Farol da Barra, onde fica o Forte de Santo Antônio, um dos mais antigos do Brasil. Essa parte foi recém-revitalizada, e está ótima para um happy hour. Bom que dá pra curtir também um por do sol lindíssimo.

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Afastando-se um pouco do Pelourinho, tem outros lugares dignos de nota, e outros que não são prioridade para sua primeira visita a Salvador. Indo uma segunda vez, vá conferir que vale.

A Arena Fonte Nova foi totalmente reconstruída para a Copa do Mundo. Se conseguir pegar um jogo, aproveite para também visitar o Dique do Tororó, com suas impressionantes esculturas de Orixás sobre o espelho d’ água.

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Praqueles lados tem o Museu de Arte Moderna da Bahia, que foi projetado por Lina Bo Bardi, a mesma do MASP. Só isso já seria motivo para visitá-lo e conferir sua arquitetura, que tem capela, casa grande, fábrica, senzala, aqueduto, chafariz  e cais de desembarque. Mas o Solar de Unhão, como também é conhecido, reserva muita coisa bacana no seu acervo.

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Por pura curiosidade por conta das famosas fitinhas, fui visitar a Igreja do Nosso Senhor do Bonfim (e descobri que, apesar de ser o mais famoso, não é o padroeiro da cidade. Ou do estado). Leve de presente pra todo mundo as fitinhas e ensine como usar: são duas voltas no braço e três nós, um para cada pedido. Os pedidos se realizam quando a fitinha cair (uns cinco anos depois, quando já estiver puída, suja e fedendo a suor no seu braço).

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Saindo da Igreja do Bonfim, se você continuar subindo (em relação ao Farol da Barra), vai dar na Ribeira, que tem uma famosa (e ótima) sorveteria, com um milhão de sabores. Em frente à sorveteria, pegue o barco para atravessar até o bairro de Plataforma.

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Você vai precisar sair da estação do trem para a rua e caminhe um pouco para chegar ao mítico Boca de Galinha, um restaurante estilo “super-simples-rústico-que-ficou-famoso-por-ser-super-simples-rústico-e-ninguém-conhecer”.

O cardápio vem escrito à mão, com os peixes disponíveis no dia e a vista é muito bacana. E, claro, por ser “super-simples-rústico” que se preze, não aceita cartão.

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Se, da Igreja do Bonfim você descer (de novo em relação ao Farol da Barra), vai dar na Ponta de Humaitá, tem o Forte de Nossa Senhora de Mont Serrat. Bem mais simples, tem uma vista incrível. Por do sol, então, com o perdão da expressão, é  fod….

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O Rio Vermelho não dá praia, mas a noite ferve com vários bares e o famoso Acarajé da Dinha.

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Outro farol famoso fica um pouco mais longe, é o da Praia de Itapuã. Com todo o respeito que me é devido a Vinícius de Moraes, que cantou as maravilhas de se p[assar uma tarde ali, prefira as praias vizinhas que são mais bacanas, como Stella Maris e Flamengo (onde está a famosa e lotada de gente Barraca do Lôro).

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Não fui, mas na próxima visita estão agendadas visitas a Praia do Forte e Ilha de Itaparica. E a um dos muitos terreiros de umbanda, que dizem ser imperdíveis (religião à parte).

Mais: Porto Seguro, o redescobrimento da cidade do descobrimento

 

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