São Luís (MA)

Quando voltei de São Luis (já tem alguns anos), me perguntaram “O que você achou?”.   Eu ainda estou tentando qualificar meu sentimento pela cidade. “Uma pena” talvez fosse a melhor resposta. Imagina uma cidade que foi fundada por franceses, invadida por holandeses e, por fim, retomada e colonizada por portugueses? O centro histórico é um verdadeiro museu a céu aberto, com prédios com as mais diferentes influências artísticas e milhares de prédios tombados pelo Patrimônio Histórico. E o que foi feito para conservar tudo isso? Sim, você acertou: nada. Uma riqueza dessas totalmente abandonada só podia resultar em sujeira, ruína e má conservação (a pomba é um bom exemplo).

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Ou seja, uma pena. Mesmo tendo nome de santo, não teve milagre que fez a cidade atingir todo o potencial que tem. (Nem vou ser chato de mencionar o sobrenome da família que governou por décadas o Estado. Como Maceió, triste sina de um lugar tão bonito).

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Mas um lugar que você não pode deixar de visitar são os Lençóis Maranhenses. E, pra chegar neles, você (via de regra) vai passar por São Luis. Então aproveite para conhecer.

Mais: Lençóis Maranhenses. O que você está esperando para conhecer?

Mais: De Jericoacoara a Lençóis – a menor distância entre dois paraísos. (em breve)

Não tem jeito, mesmo abandonado, malcuidado e sujo, o centro histórico ainda é o principal encanto de São Luís. Dá para fazer ele todo à pé. Aliás, andar à pé por ali é imprescindível, para ir observando cada detalhe dos casarões azulejados, dos estilos arquitetônicos, das esculturas, das fontes. Só assim para apreender todas as nuances da “Cidade dos Azulejos”.

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Dois conselhos: 1) só não o faça aos fins de semana, quando o centro histórico está deserto e é perigoso pra caralho andar por lá (reforço o PERIGOSO PRA CARALHO). Vá de segunda a sexta-feira e rode para cima e para baixo sem medo de ser feliz – inclusive o povo simpaticíssimo adora ajudar e apontar construções e contar a história de cada uma delas. 2) Não tente aplacar a sede que você certamente terá com Guaraná Jesus. O famoso guaraná rosa, agora propriedade da Coca-Cola, é daquela coisas que só quem nasceu no lugar gosta (tipo peixe com açaí e farinha d’ água em Belém ou tereré em Campo Grande).

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Das atrações mais conhecidas, tem o Palácio dos Leões, sede do governo. Tem visitas guiadas, mas que eu não fiz porque no dia estava rolando um protesto. Aí, já viu né, nada de contato com pessoas de fora.

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Na Igreja da Sé, ou Catedral de São Luís, se tem uma senhora vista da Beira Mar (dá pra ter uma ótima noção da variação da maré, aliás).

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Se você curte manifestações culturais brasileiras, o Maranhão é um prato cheio, com o Bumba-Meu-Boi, o Tambor de Crioula, Festa do Divino e afins. O Centro de Cultura Popular, ou simplesmente Casa da Festa, tem os adereços, histórias e explicação dessas festa tudo.

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Pra ver o Tambor de Crioula em ação, aliás, vá até a Casa das Tulhas na sexta-feira no fim da tarde. Você pode aproveitar para comprar algum produto típico, ou experimentar a tiquira, cachaça regional de mandioca, meio azulada, e fortíssima. (No Mercado Municipal também, mas além de ser menos charmoso, não tem o Tambor de Crioula rolando). Dá pra pegar uma porção de camarão seco e ficar mordiscando, tomando uma cerveja, se preferir.

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O Teatro Arthur Azevedo é o equivalente local ao Teatro Amazonas – construído pela elite da cidade no auge do ciclo do seu principal produto-tipo-exportção. No caso do Maranhão, o algodão.

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No Museu Histórico do Maranhão você vê como vivia a elite maranhense da época de ouro, como era o mobiliário, os costumes, etc. Quem curte uma preciosidade histórica literária vai vibrar com o manuscrito de O Mulato, do ludovicense Aluizio Azevedo. (Pra você não dizer que nunca aprendeu nada por aqui, ludovicense é o gentílico de São Luis. Não sabe o que é gentílico? Ah, procura no Google)

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Não deixe de ver a Casa do Nhozinho – um museu legal pra cacete, que expõe a arte maranhense e dá especial atenção ao Mestre Nhozinho, um artesão maranhense que, mesmo sofrendo de uma grave doença degenerativa, ainda tinha força e inspiração pra fazer suas miniaturas do bumba-meu-boi.

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Passe pela Fonte do Ribeirão e tente achar a cabeça da Serpente Encantada de São Luís, a lenda mais famosa da cidade.

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Mais: conheça a Serpente Encantada que será o fim de São Luís.

Mais: Outra lenda famosa é a da Carruagem de Ana Jansen. Conhece?

E tem o Convento das Mercês que não visitei. Pode parecer idiotice, mas ele abriga o Memorial José Sarney e eu me recusei a entrar em um lugar que tem “memorial” e “Sarney” no mesmo nome. Depois de andar por todo o centro histórico, não preciso me explicar que odeio o que a família Sarney fez com o estado. Pode me julgar.

No quesito praias, pra ser bem sincero São Luis não está no top 10 das cidades com praias bacanas. A maioria (ou todas que eu visitei, ao menos) tinha água imprópria para banho, e a faixa de areia era escura, sem graça. Deve haver praias melhores um pouco mais longe, mas não tinha carro e nem paciência para procurar. Mas ao menos a orla da Avenida Litorânea (onde está o Monumento aos Pescadores) reserva restaurantes-barres-quiosques caprichados, e tomar cerveja na praia, mastigando uma porção, olhando o mar (mesmo que sem graça e poluído) é sempre um programa digno.

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Aliás, não deixe de notar a variação da maré, uma das maiores que já vi. Impressionante. À esquerda, de manhã, e à direita, no fim da tarde.

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Por fim, a melhor dica: reserve um dia para ir para Alcântara, uma cidadezinha estilo colonial à la Goiás Velho, mas que você chega de barco e que tem, entre outras peculiaridades, uma base de lançamento de foguetes (aliás, A ÚNICA base de lançamento de foguetes do Brasil).

Mais: o charme e as peculiaridades de Alcântara. (em breve)

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