São Paulo (SP)

Do Central Park brasileiro vemos a Manhattan brasileira

Quando alguém resolve visitar São Paulo e te pede algumas dicas do que fazer, você é imediatamente confrontado com exatamente este problema: o que fazer? A maior cidade do Brasil tem um milhão de coisas para escolher, ver, experimentar e visitar. Qualquer um precisaria de um mês pra poder curtir tudo (e, sejamos sinceros, por mais interessante que seja, quem é o louco que “gastar” um mês das suas preciosas férias em São Paulo?). Com o intuito de facilitar a vida dos meus amigos que vão desbravar a cidade pela primeira (ou segunda, ou terceira) vez, pensei em um roteiro que cobre os locais mais interessantes, simbólicos ou imperdíveis da Terra da Garoa, mas que tem um ponto de partida diferente. (E você, que lê esse texto, pode aproveitar pra também desbravar a sua cidade. Eu sei, você sabe, todo mundo sabe, que tá cheio de lugar que a gente se promete a conhecer no lugar onde mora, mas sempre acaba deixando pra outro dia).

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Em uma ação no mínimo simpática, a CET, Companhia de Engenharia de Tráfego de São Paulo, desde o ano passado vem trocando os faróis (também conhecidos como semáforos, ou sinais, ou sinaleiros, dependendo de onde você mora) de pedestres próximos a vários pontos turísticos. Ao invés do tradicional homenzinho vermelho e verde, cada ponto tem seu desenho, ou alguma outra imagem icônica do local, retratada.

Com a desculpa de ver ao vivo tais semáforos diferentões, dá pra passar por algumas das melhores atrações da cidade, que agradam todos os gostos, faixas etárias e expectativas. Tem museu, tem verde, tem atrações culturais, tem patrimônio histórico,  tem baladas, tem gastronomia. E o melhor: não precisam seguir uma ordem definida e você pode fazer a maioria a pé.

Liberdade

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Os semáforos trazem a imagem do portal do bairro e das lanternas japonesas que adornam as ruas. O barato aqui é visitar um dos muitos restaurantes tradicionais de comida japonesa, com nomes que você nem sabe o que significam e que nem adianta pedir pra explicar o que é, você não vai entender. Prepare-se para uma surpresa a cada prato e divirta-se.  Não tenha receio de invadir as lojinhas de produtos típicos (mesmo que não vá comprar nada). Aproveite para ver como as marcas, tipo Bradesco e Mc Donalds, se adequaram a essa cara de oriente que o bairro tem. Dê  um pulinho no Soto Zen Busshinji,  templo budista na Rua São Joaquim, cuja paz em nada lembra o ritmo de São Paulo. E tem a famosa feirinha aos domingos, bem na saída do metrô Liberdade (o melhor modo de chegar até o bairro).

Catedral da Sé

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Da Liberdade, dá pra ir andado e em 5 minutos você está atrás da Catedral. Se optar por começar o roteiro por aqui, vá de metrô., fácil, fácil. A Catedral enche os olhos, mesmo pra quem (como eu) não é lá muito católico.  E não perca a cripta no subsolo, “visitável” apenas com monitores (quando eu fui não tinha monitor, nem previsão de quando um seria contratado). Da Sé, dá pra rodar à pé todo o centro velho de SP, com alguns “faróis” imperdíveis.

Pateo do Collegio

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Onde nasceu São Paulo. Só por isso é histórico e merece a visita.  Tem  a igreja onde foi realizada a primeira missa da cidade e a cripta de José de Anchieta. (Detalhe para você que, como eu, quer ver todos os faróis: esse não está assim tão perto do Patteo. Tá mais indo em direção à estação São Bento do metrô).

Prédio do Banespa

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O Edifício Altino Arantes (nome oficial) é claramente inspirado no Empire State Building. Do alto, pode-se ver a cidade 360 graus, ou seja, não preciso dar mais nenhum motivo pra você ir. Pena que a subida só acontece durante a semana, das 10h ás 15h. Leve um documento com foto, senão, não sobe. (Outro caso em que o farol não está tão perto assim do ponto homenageado. Este está em frente à Prefeitura).

Se você tiver o azar de estar ali no sábado, calma, nem tudo está perdido. Ali perto tem a Cervejaria São Jorge, em frente à BM&F, que tem uma ótima feijoada com samba aos sábados à tarde.

Theatro Municipal

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Ver um espetáculo lá é realmente de escorrer lagriminha do olho. Mas como nem sempre calha de você estar por lá com algo rolando, faça pelo menos a visita guiada, que rola de terça a sábado, em vários horários.

Mosteiro São Bento

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(parêntese importante: Esse é um ponto “in memoriam” do roteiro. O farol que tinham colocado lá já não mais existe. Mas já teve, e tem coisa interessante pra ver e fazer, então está aqui).

As missas com canto gregoriano são o grande barato do mosteiro. Segunda a sexta, às 7h, sábado às 6h e domingo às 10h (tem outros horários, mas sem o canto gregoriano). Se você tiver a sorte de visitar no último domingo do mês, pode ainda experimentar o bem variado brunch no refeitório monástico. Se começar o roteiro por aqui, desça na estação São Bento do Metrô.

Em frente ao largo tem o Café Girondino, um dos mais tradicionais da cidade. E, pra quem gosta, a 25 de Março, paraíso das compras populares, é logo ali, uma Ladeira Porto Geral de distância.

Mercado Municipal

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Cá entre nós, mais muito cá entre nós MESMO, taí um lugar ao meu ver supervalorizado. As coisas são caras e você com quase toda a certeza não vai conseguir encarar um sanduíche de mortadela inteiro. Mas como enfrentar os olhares de desaprovação quando souberem que você foi pra São Paulo e não visitou o famoso Mercadão, nem comeu seu principal quitute? (que não tem nada de especial, você faz em casa fácil, fácil). Então dê um pulinho lá, tire uma foto e pronto, estamos conversados.

Melhor gastar seu tempo indo para outros faróis. Pegue o metrô e vá até a Estação da Luz.

Pinacoteca e Estação Júlio Prestes

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Tem a Estação Pinacoteca e a Pinacoteca do Estado, que são dois prédios diferentes e trazem sempre exposições interessantíssimas que merecem a visita. Tem a estação Júlio Prestes, que não bastasse por si só ser um espetáculo, ainda abriga a Sala São Paulo (que faz visitas guiadas gratuitas aos fins de semana, R$5 nos dias de semana). Tem o Jardim da Luz, com suas “profissionais do sexo” de até 70 anos (!), o Museu de Arte Sacra (pra quem gosta) e o imperdível Museu da Língua Portuguesa. Tudo pertinho, fácil de ir. Só não espere escurecer que a região não é conhecida por ser muito bem frequentada à noite.

Copan

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Tradicionalíssimo edifício paulista, obra de Niemeyer. Tente visitar durante a semana, que é quando se pode subir até o terraço em visitas guiadas,  às 10h30 e 15h30, e curtir uma vista espetacular. No térreo, bares, cafés e uma galeria de arte garantem movimento constante. O Bar da Dona Onça é famosíssimo pelos pratos  e caipirinhas (altamente recomendado). Pertinho dali tem o já mencionado Terraço Itália, que ainda não tem sinal turístico pra chamar de seu, mas em tese um dia terá.  E também ali perto, na saída da estação República do metrô, tem um ponto de atendimento ao turista. Dali, todos os sábados às 11h30, sai um grupo para fazer o Free SP Walking Tour. Como o nome diz, é um passeio à pé pelo centro da cidade, com guia explicando tudo (em inglês, é voltando pra gringo). Mas é de graça, esquema “paga-o-quanto-achar-que-vale, mas se você entender um pouco de inglês, vale acompanhar.

Bixiga

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O único farol que homenageia uma pessoa, o sambista Adoniram Barbosa. Visite com apetite, pra fazer a festa em uma das dezenas de cantinas, algumas com mais de 100 anos de existência.

Ali perto tem a quadra da Vai-Vai, que aos domingos e quintas (e agora perto do carnaval tá tendo de terça também) faz seus ensaios para o carnaval. Na 13 de Maio tem alguns dos mais tradicionais bares de rock da cidade (sim, rock e samba coexistem, bem-vindo a São Paulo). E tem teatros, e tem feirinha de antiguidades aos domingos, e tem uma escadaria charmosa e tem a Festa de Nossa Senhora Acheropita nos fins de semana de agosto.

MASP

SEMÁFORO CUSTOMIZADO NA AVENIDA PAULISTA MASP1

Se você nunca veio pra São Paulo e só tem um dia na cidade, nem pense em ir pra outro lugar.  Um museu indispensável, que como se não bastasse ter obras e exposições ótimas, ainda tem a Paulista inteira aos seus pés pra ser desbravada. Domingo tem uma feirinha de antiguidades no vão. Caminhe pela Paulista pra experimentar a essência de São Paulo: arranha-céus, carros, barulho, pessoas de todos os tipos, o Parque Trianon, o Itaú Cultural, a Casa das Rosas. Mais no fim da avenida, perto da Consolação, há a praça das bicicletas, com a estátua em homenagem a Francisco de Miranda, herói venezuelano da independência. Dali, você virado para a Avenida Paulista, aproveitando o vão de onde saem os carros, você pode bater uma das mais icônicas fotos da cidade (no fim do texto).

Se tiver tempo e pique e pernas, experimente descer a Rua Augusta. Do lado dos Jardins (o lado onde está o Conjunto Nacional e a Livraria Cultura, que virou ponto turístico), há a Rua Oscar Freire com suas lojas de grife e vários restaurantes de chefs internacionais no entorno. Se você descer pro outro lado, pro centro, vai topar com os moderninhos, os descolados e alguns dos últimos puteiros que há até uma década eram a marca registrada do lugar.

Monumento às Bandeiras

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Provavelmente o mais famoso monumento de São Paulo está do lado do Parque do Ibirapuera. O parque, aliás,  valeria a pena ser visitado só pra ficar sentado observando a enorme quantidade de pessoas e tipos que frequentam nos finais de semana, especialmente domingo. Mas ainda tem o Auditório Ibirapuera, o Pavilhão da Bienal, o Planetário e nada mais que cinco museus: a Oca, Museu de Arte Moderna, Museu de Arte Contemporânea da USP, Museu Afro-Brasileiro (todos dentro do parque) e bem pertinho, saindo pelo Portão 3 passando pela Passarela Ciccilo Matarazo (com uma ótima vista pra uma foto), tem outra parte do Museu de Arte Contemporânea, que funciona há anos no antigo prédio do DETRAN e muito paulista nem sabe.

Memorial da América Latina

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Projetado por Oscar Niemeyer, é um centro de artes e espetáculos e artistas de toda a América Latina.  Indispensável para quem se interessa por uma (as artes), por outra (a América Latina) e principalmente por ambas.

Estádio do Pacaembu

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O Museu do Futebol é um programão, de verdade, seja você fanático ou não por futebol.  Quando nada, experimente tomar um lanche no charmoso café a direita da entrada do estádio.

Museu do Ipiranga

O Museu está fechado para reformas por tempo indeterminado. Então não há muito porquê você se abalar até o lugar onde D. Pedro I soltou a voz no famoso “Independência ou Morte”. Os jardins, inspirados nos de Versalhes, são lindos, mas não justificam a ida até lá. Mas fica aqui o registro de mais um sinal que existe na cidade.

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Pronto, ao percorrer todos esses sinais, todo mundo pode se gabar de ser um grande conhecedor de São Paulo, tendo visitado vários pontos que mesmo quem mora na cidade não conhece.

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